Ser Mulher ou ser “mulher”: eis a questão

Ser mulher já é difícil, em cidade pequena e machista, nem se fala! E não só os homens são machistas, mas as mulheres também. Pois eu acredito que se você é conivente com o que acontece e não tenta fazer algo para mudar o que está tão apurado e cansativo de se ver, você nada mais é do que alguém que vai passar pela vida sem viver. 

Uns dizem que minha cabeça funciona como a mente de um homem. Antes pensava assim também. Até ontem. Hoje percebo que a minha cabeça funciona como de uma mulher mesmo, só que de uma mulher que pensa como um ser humano independente. Que foi criada para não aceitar preconceitos e prejulgamentos de outras pessoas. Aprendi a lutar pelo que eu acho certo. E hoje em dia sinto que essa luta deve ser feita com um pouco mais de força. 

O que mais me incomoda é ver que mesmo em 2014, ainda tem pessoas com mentes tão pequenas. Presas a conceitos antigos e formas de pensamentos tão retrógrados como o casamento a moda antiga! Quando digo a moda antiga me refiro ao fato de pensarem: homem pode mulher não! E não se resume só ao casamento, mas a muitas outras coisas. E que as próprias mães incentivam esse tipo de comportamento, quando deveriam criar seus filhos para serem homens, não macho. Há mães aqui que se orgulham de ter filhos viris, que desrespeitam seus lares, suas esposas, e até incentivam esse comportamento. Além de também ensinarem as suas filhas que os irmãos estão certos, pois são homens e elas tem que ser submissas enquanto mulher ao casarem. Não me conformo com mães preparando os pratos das refeições, enquanto os filhos e marido esperam apenas para receber e comer. Quando deveriam andar com suas próprias pernas e colocar seus próprios pratos. Lavar suas roupas, arrumar suas camas. 

Pensei que os homens já estivessem acostumados ao fato de nós mulheres estarmos cada vez mais libertas, mais independentes, e hoje estarmos tanto sendo donas de casa, como trabalhadoras em várias outras áreas. Bem como suas mães também, visto os tipos de tratamentos que nós mulheres passamos ao longo dos séculos. Sem contar também com o fato de que ao casar, ou até antes mesmo disso, mulher não passa de mulher, na mente da maioria aqui inserida em minha cidade. Ou seja, é vista como alguém que foi gerada para fazer o que o homem quiser. 

O choque cultural que venho levando nesses anos que estou em uma cidade pequena de interior caririzeiro é de trincar os dentes. Não sabia que mulher podia ser tratada como são aqui. Pois só há duas modalidades de mulher: mulher e mulher “macho”, nesse caso mulher independente e de opiniões próprias. E não sei qual seria a melhor opção aqui! 

O que me deixa os nervos mais tensos é o fato das mulheres aceitarem sem tentar mudar nada. Não falo que são todas, tenho belos exemplos de casais que se respeitam e agem como iguais, que é a forma certa. Mas vejo também mulheres criando suas filhas como foram criadas, e não reformulando suas atitudes, seus futuros. Bom mesmo é ser independente. Só que aqui não!

Mulher “macho”, sendo independente, tem logo alguém que julga errado, que ela deveria estar em casa se resguardando para o homem que queira desposá-la. Não pode sair para bares, para festas, viagens com amigos, pois criarão uma fama não muito boa. Mas elas não se importam, e não deveriam se importar mesmo. A vida de cada um só pertence a eles, não aos demais. Não pode viver na igualdade que se deveria, pois não vejo nada de mais em fazer o que temos vontade, se não dependemos de ninguém, contanto que não fira e não desrespeite ninguém. Muito menos a nós mesmos. 

Ao casarmos devemos respeitar nossos maridos, como eles devem nos respeitar também. Ter naquela pessoa um companheiro, um amigo, alguém para compartilhar coisas boas e coisas ruins. Devemos sempre estimular as habilidades e fazer de cada dia algo melhor para os dois. E não ser individualistas, separar por obrigações e deveres, mas fazerem juntos e tornar tudo mais prazeroso, pois a única coisa que diferencia o homem da mulher é a anatomia. Devemos nos encarar por igual, para que o índice de divórcio diminua e os casamentos sejam vistos de forma mais agradável. E se não casarmos que sejamos vistas como iguais, pois o somos. E merecemos respeitos e temos direitos iguais, liberdade igual, trabalhamos ainda mais que os homens, pois temos jornadas duplas, algumas de nós até triplas. Enquanto o homem tem sua jornada nas empresas e quando chega em casa não tem nada de obrigação, falando pelo que vejo, onde moro. Eu prefiro ser mulher, mesmo assim! Como minha mãe me criou, pensante! E você? Vai continuar achando que não pode mudar. Tudo na vida pode ser melhorado é só dar um passo para frente, e deixar o que é de ruim e mau costume para trás. 


Por Hylla Luizi 
Jornalista-UEPB

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