“Sem a orientação e supervisão de um enfermeiro, o técnico não é
capacitado para atender pacientes com risco de vida em situações de
urgência que requerem decisões rápidas. Nessas ambulâncias, o
atendimento a pacientes nessa situação é de competência do enfermeiro e
os técnicos apenas assistem ao profissional”, explicou Graziela Cahú.
Ainda nas mesmas equipes do Samu, os fiscais do Coren-PB identificaram
também falta de condições estruturais e de equipamentos que comprometem o
trabalho dos enfermeiros e demais profissionais da área durante os
atendimentos. Foi o que aconteceu este ano com a unidade de Santa Rita,
na Região Metropolitana de João Pessoa, cuja ambulância contava apenas
com auxiliares de enfermagem. Constatada a irregularidade, os
profissionais dessa equipe foram interditados eticamente pelo órgão
fiscalizador e as ambulâncias estão paradas.
A falta de enfermeiros para acompanhar os pacientes também foi
constatada durante a manhã desta quarta-feira (9) pela reportagem do
JORNAL DA PARAÍBA. Uma ambulância da prefeitura de Guarabira trouxe um
paciente em estado grave para receber atendimento no Hospital Napoleão
Laureano, no bairro de Jaguaribe, na capital. No entanto, segundo
informações do motorista do veículo, além dele, apenas uma técnica de
enfermagem e um parente do paciente vieram com ele.
Segundo Graziela Pontes, a falta de enfermeiros integrados às equipes do
Samu e demais ambulâncias é uma prática comum nos municípios do
interior do Estado. Ela conta que o Coren-PB apurou três casos graves
este ano, sendo um deles com óbito por negligência do técnico que
acompanhava o paciente.
“Muitas ambulâncias das prefeituras não têm alvará de funcionamento e condições de fazer o transporte dos pacientes.
Tivemos dois casos este ano em que a porta da ambulância se abriu, o
paciente caiu e a falta dele só foi notada na chegada do hospital. O
outro caso foi de uma paciente que tinha problemas mentais. No momento
do transporte para o hospital, ela teve um surto, pulou na ambulância em
movimento, caiu na pista e morreu. Tudo isso aconteceu porque não tinha
o acompanhamento devido por um enfermeiro”, lamentou. (Colaborou
Nathielle Ferreira)
Cidades com Samu sem enfermeiros
Santa Rita
Pedras de Fogo
Alhandra
Caaporã
Cuité
Lagoa de Dentro
Jacaraú
Soledade
Santana dos Garrotes
São José de Piranhas
Nova Olinda
Belém do Brejo do Cruz
Bananeiras
Alagoinha
Arara
Caturité
Em 16 municípios da Paraíba as ambulâncias operadas por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) funcionam sem a presença de enfermeiros na equipe. Essa situação é uma das irregularidades identificadas durante as 453 fiscalizações realizadas pelo Conselho Regional de Enfermagem do Estado (Coren-PB), de janeiro deste ano até a primeira semana de outubro.
