Chegou a 28,6% a queda do efetivo de bovinos registrada na Paraíba. O
númeroda pesquisa Produção da Pecuária Municipal (PPM) divulgado pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta
quinta-feira (10), revela que o Estado foi o que apresentou maior
prejuízo no desenvolvimento da pecuária nacional no ano passado.
O aumento do preço de insumos, como milho e soja, que afetou a
produção de ração animal, e a forte seca que assolou a Paraíba são
apontados como as principais causas para a queda. A retração atingiu em
especial a região Nordeste.
Depois da Paraíba, o estado de Pernambuco e no Rio Grande do Norte
tiveram as maiores quedas do rebanho bovino 24,2% e 18,1%, apuradas,
respectivamente. No Nordeste a queda registrada foi de 4,5%.
Por regiões, a Norte foi a única a apresentar aumento do plantel
bovino (1,3%), puxado pelos desempenhos do Pará, com expansão de 1,9%,
Acre (3,3%) e Tocantins (0,7%). As maiores variações relativas foram
observadas, porém, no Amapá (12%) e em Roraima (5,4%), mas esses estados
têm pouca representatividade nacional, segundo a pesquisa.
A pesquisa mostra também que houve queda em praticamente todos os
portes de rebanhos brasileiros. Os asininos e os muares apresentaram as
maiores reduções (7,4% e 3,8%, respectivamente) entre os de grande
porte. A menor queda nesse segmento ocorreu entre os bovinos de corte e
de leite (-0,7%), que são “o grande personagem da pecuária nacional”,
conforme destacou o engenheiro agrônomo Otávio Oliveira, gerente de
Pecuária do IBGE e responsável pela pesquisa.
Já nos rebanhos de médio porte, as maiores quedas foram observadas em
caprinos (-7,9%) e ovinos (-5%), enquanto a menor redução (-1,3%) foi
vista no efetivo de suínos. Entre os rebanhos de menor porte, coelhos
tiveram a maior queda (-12,4%). O efetivo de galinhas caiu 1,4% e o de
galos, frangas, frangos e pintos experimentou redução de 1,9%. “A
conjuntura não favoreceu as atividades, de maneira geral”, comentou o
pesquisador, em entrevista à Agência Brasil.
A exceção foi o efetivo de codornas, que mostrou expansão de 5,6%,
estando concentrado, principalmente, em São Paulo, que responde por
51,1% do total. A valorização de 27% no preço dos ovos de codorna tornou
a atividade mais atrativa. Em consequência, a produção cresceu 9,4%. “O
preço médio do ovo de codorna subiu bastante, tornou a atividade mais
atraente e houve a resposta dos produtores, aumentando o plantel”, disse
Oliveira.
