Mesias Ramos trata de mais um assunto polêmico na Coluna Opinião em Foco. Confira:

Nas últimas semanas, tem-se noticiado inúmeras perseguições aos cristãos no Oriente Médio. Um fato repudiável que põe em xeque a liberdade das pessoas, sobretudo a liberdade de expressão e religião ou culto.

Tais fatos são tão nítidos, do ponto de vista do cerceamento da liberdade, que não há o que se discutir acerca do assunto, uma vez que está sendo privada a liberdade individual das pessoas. Não obstante, temos presenciado outro movimento, que parece não ser tão lúcido, mas que se constitui uma intolerância religiosa “subtendida”: o movimento iconoclasta no Brasil.

Nos últimos meses, em vários recantos do Brasil – inclusive na Paraíba – alguns sujeitos adentram nas Igrejas e destroem imagens católicas. Isso é o reflexo de um movimento que vem se consolidando no país há algum tempo. Solidificando-se de tal forma, que têm destruído inúmeras imagens antigas em igreja históricas – como no caso de Minas Gerais -, aniquilando não só uma crença, mas também uma riqueza patrimonial.

No artigo 5º da Constituição Federal, preconiza-se o amplo direito à liberdade individual, sobretudo a de expressar sua crença em qualquer religião. Direito este, que é oriundo da tradição liberal que consolidou uma filosofia em torna dos direito civis-individuais.

A partir disto, pode-se questionar, se esses direitos estão garantidos no Brasil. Quando olhamos a perseguição ao candomblé, à umbanda e agora a Igreja Católica, temos, de pronto, a resposta que necessitamos: “Nós” ainda temos bastante dificuldade de conviver com o “diferente”.

Respeitar as ‘diferenças’ não consiste aderir dogmas ou cultos – no caso da religião -ou formas de pensamento que diferirem de outrem. Aprender a tolerar opiniões alheias significa ampliar o debate e inclusive, abrir espaço para todos sem exceção, ainda quenão se compactue ou convirja num mesmo sentido. Caso, contrário, temos uma “tirania da maioria” – parafraseando o Filósofo Norberto Bobbio – que dita às regrassucumbindo, dessa forma, o direito de todos.

No caso do movimento iconoclasta, temos uma minoria que quer impor suas concepções religiosas a todos. Quando isso acontece, temos um problema não só de cunho religioso, mas também da ineficiência do Estado em utilizar o seu “monopólio da força” para coibir tais práticas antidemocráticas, haja vista que não se garante minimante à defesa daquilo que é primordial nos direitos civis: a liberdade.

A quebra das imagens revela tão-somente a incapacidade de abrir-se ao ‘diferente’. Quando realizada, demonstra o uso das próprias ‘mãos’ para conseguir aquilo que sua capacidade de argumentação e diálogo não permite fazer.

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