Em julho, apesar do preço do metro quadrado da construção no Estado
registrar queda de 5,90%, foi o mais caro do NE, ou seja, apresentou o
mesmo desempenho de agosto. O Sinapi é calculado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Caixa
Econômica Federal. A pesquisa leva em consideração o preço do material e
a mão de obra.
A radialista Gláucia Araújo, moradora do bairro do Geisel, em João
Pessoa, sentiu o peso deste serviço no orçamento familiar durante uma
reforma que ela está realizando em casa.
Somente na construção do banheiro ela disse que o orçamento
extrapolou, e os R$ 3 mil previstos para serem gastos inicialmente
passaram para R$ 5 mil. “Sem falar na má qualidade do serviço. Algumas
vezes o pedreiro teve que refazer o acabamento porque estava muito mal
feito. Com isso, a obra demorou quatro vezes mais do prazo estimado para
ser concluída”, confessou Gláucia Magalhães.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João
Pessoa (Sinduscon-JP), Fábio Sinval, disse que a carência de mão de obra
qualificada é um problema enfrentado pelos consumidores e isso encarece
o preço da construção civil na Paraíba. Sinval contou que o piso
salarial mensal de um pedreiro de acabamento, capacitado para atuar em
fachada, é de R$ 1.000 no Estado. Mas por conta da carência de
profissionais, este salário médio por mês salta para R$ 2.000 ou R$
2.500.
“Estamos fazendo uma campanha publicitária, que já está sendo
divulgada na imprensa, convidando os jovens a conhecerem mais a área da
construção civil, que se tornou uma boa oportunidade de trabalho na
nossa região. O Senai também está abrindo cursos de qualificação nesta
área”, explicou.
O presidente do Sinduscon-PB, Lamir Motta, também reforçou que o
encarecimento do serviço em Campina Grande e região próxima deve-se à
falta de profissional preparado. A grande demanda de serviços contrasta
com a oferta de trabalhadores e por isso, segundo ele, o preço do
serviço aumenta.
“Os materiais usados na construção civil não tiveram grandes aumentos
nos últimos meses, mas a mão de obra é o que pesa mais neste segmento. O
Senai está expandindo a quantidade de cursos oferecidos nesta área em
Campina Grande e colocando unidades móveis para capacitar os
trabalhadores nas empresas”, contou.
Com JP Online