A tendência dos indígenas em deixar suas práticas religiosas e adotar
outras crenças continua crescendo, comparando os dados do Censo
Demográfico de 2000 e 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). No período, o número de indígenas que se
declararam cristãos católicos ou evangélicos no Brasil passou de 579.126
(em 2000), para 625.470, em 2010. Revelando um crescimento de 8%.
Entretanto, segundo o Censo, o número de católicos caiu. Em 2000, dos
734 mil declarados indígenas, 432.326 eram católicos, o que corresponde
a 58,9%. No Censo de 2010, dos 821.501 indígenas brasileiros, 416.201
se disseram adeptos do catolicismo, o que representa 50,66%. Na Paraíba,
considerando os números de 2010, do total de 19.490 indígenas, 14.583
são católicos.
Já o número de evangélicos cresceu entre os indígenas. Em 2000, eram
146.800. No último Censo, essa parcela representa 209.259 índios
brasileiros. Na Paraíba, o Censo de 2010 revela que 3.056 índios são
evangélicos, sendo mais representativos os que pertencem às igrejas de
origem Pentecostal (1.778) e Assembleia de Deus (1.469).
Diante deste quadro de cristianização entre os indígenas, algumas
aldeias tentam preservar a cultura local, como por exemplo a aldeia de
São Francisco, localizada no município de Baía da Traição, Litoral Norte
do Estado. Liderada pelo cacique Alcides da Silva, o povo potiguara
desta aldeia divide as práticas religiosas tradicionais com a Igreja
Católica e com uma igreja evangélica, que atua no local. Segundo o
cacique, conscientizar os jovens sobre a importância de manter a
tradição tem sido difícil diante da presença desses grupos religiosos.
“Não concordo com a atuação dessas religiões na nossa aldeia porque
enfraquece a nossa cultura, principalmente com os mais jovens e as
crianças. A gente quer levar a aprendizagem da cultura e religião
potiguara para o nosso povo, mas enfrenta dificuldades por causa disso.
Vou fazer uma reunião com a comunidade e pedir que essas igrejas saiam
de nossa aldeia”, reclamou.
O mesmo pensamento de resistência do cacique é compartilhado pelo
índio José Ronaldo, que mora na aldeia potiguara de São Miguel, também
na Baía da Traição. Pai de dois filhos, ele conta que procura ensinar as
tradições religiosas à família para que os filhos não esqueçam suas
origens. “Hoje tá muito dividido as religiões nas aldeias. Tem gente
católico, evangélico, mas eu quero manter nossa tradição. Isso também
acontece porque muitos chefes de aldeia permitem que pessoas de outras
religiões entrem em nossa aldeia para converter os índios”, lamenta.
Com Katiana Ramos do JP