“Acho o preço muito caro, mas o que podemos fazer? Se pararmos de tomar remédio, podemos morrer”. Este foi o desabafo do funcionário público Adenildo Fernandes da Silva sobre o reajuste dos medicamentos que o Ministério da Saúde divulgou esta semana. O aumento varia de 2,7 a 6,31%. Mas o consumidor pode abater o custo com medicamentos através de pesquisa de preços, inscrição no programa Farmácia Popular, optando por medicamentos genéricos e até aderindo a planos de medicamentos. Outra forma de reduzir gastos é verificar se o plano de saúde ao qual é conveniado oferece alguma ajuda na compra de medicamentos.

“Tomo remédios para tratar a diabetes e pressão alta. Eu gastava R$ 300 por mês com remédio, mas como meu plano de saúde é da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), o Capsaúde, ele me ofereceu alguns benefícios e consegui obter uma boa economia. Recentemente fiz inscrição no laboratório Novartis e compro medicamentos direto a ele. Hoje gasto apenas R$ 90 com remédios”, disse Adenildo Fernandes da Silva.

A economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ione Amorim, afirmou que o consumidor brasileiro possui um gasto representativo com medicamentos por várias razões.
“Isso por causa do envelhecimento da população, com maior número de idosos e o surgimento de doenças crônicas como hipertensão, obesidade e diabetes, que necessitam de medicamentos de uso contínuo”, disse Ione Amorim.

O aposentado Francisco Soares Silvestre também reclamou do reajuste divulgado na última quinta-feira. “Não acho correto estes reajustes porque já vivemos numa dificuldade grande”, frisou. Francisco Soares Silvestre afirmou que toma remédio contínuo para controlar a hipertensão e também colírios como o Trusopt. Ele disse que gasta mensalmente cerca de R$ 300 somente com remédios.

Segundo a economista, infelizmente há no país a auto medicação, em razão da dificuldade de acesso aos serviços médicos. “Apesar dos programas de acesso aos medicamentos como Farmácia Popular, a parcela da população que não consegue acesso aos médicos, não tem receituário para se beneficiar dos programas”, disse.

Gerentes de algumas farmácias de João Pessoa confirmam que, mesmo com o preço reajustado, as vendas de medicamentos não apresentam queda. “Quem realmente precisa de remédio, principalmente de uso contínuo, não tem como evitar a compra. Logo após o reajuste, eles reclamam, mas compram, por isso não verificamos redução nas vendas”, frisou Zilmara Carlos Felix, gerente da Farmácia Bom Dia, situada em João Pessoa.

Já o farmacêutico da Big Ben, Sandro Michel, disse que a chegada do reajuste causa estranhamento nos clientes, mas não provoca retração nas vendas. “Muita gente nota a diferença no preço, mas não deixa de comprar”, disse.

Com Alexandra Tavares do JP

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