Este assunto é sem dúvida, muito polêmico e altamente complexo. Muitas opiniões são divergentes a afirmativa de que a religião, de uma forma generalizada, possa dar contribuições para que o indivíduo possa crescer de forma mais correta, ou seja, de forma mais ética. Porém, antes de nos debruçarmos no cerne de nossa conversa, é preciso que compreendamos o que de fato é Ética.

Quando tratamos deste assunto em nossas palestras filosóficas que tendem a nos levar a uma reflexão complexa do pensamento humano, iremos entender que a Ética aqui tratada, não é a ética que hoje é tão vulgarmente publicada, ou seja, um grupo de regras, ou normas que se determinam em um grupo visando o seu processo. Queremos voltar ao pensamento socrático que entendia a Ética como sendo uma reflexão no campo das ações. Agir de forma ética é agir de forma deliberada e não segundo os nossos apetites, desejos ou vontades. No momento em que eu estou agindo deliberadamente, com cautela, após uma devida análise e com um pensamento não individualista, aí sim eu estarei agindo de forma ética.

Esta ação está bem presente na vida do filósofo. Na obra A REPÚBLICA de Platão, ele nos apresenta um modelo de sociedade completamente organizada. Uma cidade governada pelos amantes e conhecedores do saber. O filósofo-rei é aquele homem que conhece e está bem próximo do saber e por isso age de forma ética, de forma deliberada, voltando-se para aquilo que de fato é do bem comum e não bem próprio ou de um determinado grupo. Sendo assim, possamos compreender que em todo momento em que falarmos de Ética lembramos que aqui a conhecemos como uma reflexão no campo das ações.

Mas afinal, quais as contribuições que o catolicismo tem a oferecer para o desenvolvimento ético da humanidade? Neste momento, é preciso perceber que o Cristianismo está de mãos dadas com a Filosofia. Afirmamos isto, pois, todas as pregações cristãs estão centradas em apenas um ponto estratégico: o Amor. Na caminhada de Jesus Cristo ele fazia transparecer a todos qual era o maior e o principal de todos os mandamentos. Este era o primeiro dos Mandamentos da Lei de Deus, e também estava presente quando ele aos seus discípulos completa sua reflexão sobre os mandamentos afirmando que depois do amor supremo ao Criador, está o amor ao próximo, ou seja, ao irmão, ao semelhante.

Para Jesus Cristo e para o pensamento dos que o seguem é primordial levar à frente este mandamento, o Amor. Para os primeiros cristãos isso muito ajudou, pois vivendo numa sociedade da lei perversa agora desponta uma novidade. Todos já estavam acostumados a uma lei severa, na qual deveria ser obedecida a rigor. Cristo apresenta-nos algo que pode ser feito sem holocaustos, sem morte nem sacrifício, ou seja, simplesmente amar. Esta pregação estava efetivada nos discurso dos discípulos e primeiros cristãos. Por onde passavam eles anunciavam aquilo que foi dito pelo seu mestre na Santa Ceia quando pronunciou o Novo Mandamento.

Tratando agora diretamente do catolicismo, recordamos que, o mesmo discurso do Cristo Senhor está presente na Santa Igreja. Em todas as formações litúrgicas e eclesiológicas, afirmamos que a Igreja Católica é cristocêntrica, ou seja, tem Cristo como centro de sua vida. Logo, o discurso de Jesus aos seus discípulos é algo que persiste nas pregações dos sacerdotes e nos estudos das disciplinas cristológicas das formações religiosas. Quando a Igreja Católica venera seus santos, ela não tem um culto vazio de adoração a nenhuma figura de santidade que não seja a Cristo. Isso é tão provado que as festas dos santos é comemorada nas celebrações eucarísticas. A celebração eucarística é o ponto alto da vida da Igreja Católica, pois é nela em que se renova a aliança com o Cristo executando o gesto que ele próprio instituiu.

Para se alcançar o ponto alto da formação cristã-católica, o homem passa por um longo processo de formação eclesial por meio dos momentos preparativos para a recepção dos Sacramentos. Os Sacramentos na Igreja Católica, são o sinal vivo da ação de Jesus Cristo na vida do Cristão. O caminho cristão do católico é iniciado pelo recebimento do Sacramento do Batismo. Este é a porta que leva a uma vida contrita e compromissada à religião e à obediência aos seus preceitos e doutrinas. Ser batizado na Igreja Católica significa que, além de fazer parte da família cristã-católica, o batizado tem um forte compromisso com a religião sendo um indivíduo com a autorização para perpassar pelos demais momentos e processos católicos que dependem do primeiro Sacramento. Sendo assim, compreendemos que o Batismo é o primeiro Sacramento da iniciação à vida cristã. É a porta inicial. Com ele o cristão-católico terá o “passaporte” para os demais sacramentos.

Antes de receber cada sacramento – que somam um total de sete (Batismo, Penitência, Eucaristia, Confirmação, Matrimônio, Ordem e Unção dos Enfermos) – o católico passa por um processo formativo que mostram ao indivíduo, o além sacramental, ou seja, a pessoa saberá os significados presentes no sacramento. Não é simplesmente chegar e receber, é preciso que se esteja consciente do que está sendo recebido. Nas formações sacramentais a formação é composta pelos fundamentos bíblicos. Cada sacramento católico é baseado nas palavras de Jesus e em suas atitudes.

É neste ponto que percebemos a fiel colaboração da Igreja Católica na formação ética do homem. Cada formação sacramental é repleta de um espírito de bondade, de mansidão e de doação ao outro. O batizado deve ser uma pessoa sensível às necessidades do outro. Deve ser caridoso e agir segundo o espírito cristão. Em seguida, no passo em que se vai recebendo os demais, o cristão vai sentindo que cada sacramento apresenta um conteúdo altamente ético. Eles ensinam a refletir no campo das ações. Ensinam o indivíduo a ter um pensamento coletivo. Agir de forma deliberada sendo no meio dos outros uma pessoa boa.

Dentro da doutrina Católica, prevalece o espírito do doar-se ao necessitado. Os ensinamentos apontam à uma sociedade que acima de qualquer coisa está ligado ao outro. Os ensinamentos católicos contribuem para a formação ética do homem, pois ensina-o a ser um indivíduo que não age segundo as suas vontades, mas segundo um escolha deliberada, sempre pensando nos limites dos seus direitos e no direito do seu próximo. Ser cristão é em essência, respeitar os direitos dos irmãos mantendo em primeiro lugar os ensinamentos de Cristo, que é amar incondicionalmente.

Por Wellington Santos
Graduando em Filosofia pela UFCG

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