Por Wellington Santos
Graduando em Filosofia pela UFCG

Caros internautas, está se aproximando o período eleitoral e com ele surgem inúmeras polêmicas acerca de todos os que vão pleitear sua candidatura. Refiro-me principalmente aos que fazem parte de uma vida religiosa. A Igreja é clara e veta qualquer possibilidade de liberar a candidatura dos padres sem que os mesmos tenham uma pena canônica que equivale à suspensão da ordem enquanto exercer o cargo político. Mas o que dizer dos casos que aparecem nos últimos dias? Como a Igreja deve se comportar diante dos leigos que entram nos sistemas políticos concorrendo a um cargo público? Vou me debruçar neste tema, pois o considero demasiado importante.

Vejam bem! A realidade política que vivemos atualmente é muito complicada. A sociedade, ao presenciar tanta corrupção, associa de forma imediata a política à corrupção. Há opiniões que são extremistas que dizem claramente que a política por natureza corrompe. Na maioria dos casos é assim. São muitos os exemplos de pessoas que até então víamos com boa índole, mas após o seu ingresso no sistema político mudou completamente o seu comportamento tornando-se uma pessoa individualista e não dando a mínima importância para o ofício que deveria cumprir estando no cargo que lhe foi confiado pelo povo. No entanto não podemos ser extremistas. Sabemos sim que o nosso sistema político é manchado por várias mazelas que talvez jamais sejam limpas. Os casos de corrupção crescem a cada dia. Toda a nação assiste extasiada aos casos absurdos de desvio de dinheiro, de acuso de poder e tantos outros crimes que matam muito mais que armas de fogo.

Estamos chegando a mais um ano onde viveremos o grande movimento das eleições municipais. Estas são vividas mais intensamente que as eleições para governadores, presidente, deputados e senadores. É neste processo eleitoral municipal que surge os vários nomes às candidaturas municipais. Nos municípios pequenos temos os casos de pessoas de dentro do serviço pastoral, das paróquias e grupos religiosos, bem como de outras religiões que escolhem assumir o desafio de se candidatarem. Há casos em que esta atitude é muito rejeitada. Refiro-me principalmente à Igreja Católica que é a que conheço. Já presenciei casos em que pessoas bem quistas passaram a ser vistas como corruptos ou de má índole. Ou seja, ao ingressar na política a pessoa é imediatamente rotulada como que faça parte de um grupo de pessoas sem caráter.

Mas gostaria de convidar a todos à uma reflexão diferente. A política, que é um exercício humano muito antigo, requer de quem a assume uma postura correta, uma postura idônea. A Igreja deve de fato se preocupar com os seus representantes dentro dos poderes. A Igreja deve estar atenta as propostas e a tudo o que está sendo decidido pelos nossos governantes, e nada melhor que a participação ativa de nossos agentes de pastoral no sistema político, até mesmo para que a fé e a religião seja algo presente em todos os âmbitos de nossa sociedade.

Defendo uma política séria, na qual haja a participação de todas as instâncias de nossa sociedade. Devemos nos unir sem preconceito, nem pensamento pequeno, com a finalidade de fiscalizarmos o trabalho exercido pelos que são eleitos. O nosso papel como cristãos é justamente não deixar que as coisas aconteçam por acaso, mas sim devemos manter uma postura de pessoas atentas e que cobram, que gritam e que jamais deixará a sociedade afundar em meio a tanta corrupção e individualismo.

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