OPINIÃO EM FOCO: A participação de religiosos leigos nas campanhas eleitorais em vista de um cargo público
Graduando em Filosofia pela UFCG
Caros
internautas, está se aproximando o período eleitoral e com ele surgem inúmeras
polêmicas acerca de todos os que vão pleitear sua candidatura. Refiro-me
principalmente aos que fazem parte de uma vida religiosa. A Igreja é clara e
veta qualquer possibilidade de liberar a candidatura dos padres sem que os mesmos
tenham uma pena canônica que equivale à suspensão da ordem enquanto exercer o
cargo político. Mas o que dizer dos casos que aparecem nos últimos dias? Como a
Igreja deve se comportar diante dos leigos que entram nos sistemas políticos
concorrendo a um cargo público? Vou me debruçar neste tema, pois o considero
demasiado importante.
Vejam
bem! A realidade política que vivemos atualmente é muito complicada. A
sociedade, ao presenciar tanta corrupção, associa de forma imediata a política
à corrupção. Há opiniões que são extremistas que dizem claramente que a
política por natureza corrompe. Na maioria dos casos é assim. São muitos os
exemplos de pessoas que até então víamos com boa índole, mas após o seu
ingresso no sistema político mudou completamente o seu comportamento
tornando-se uma pessoa individualista e não dando a mínima importância para o
ofício que deveria cumprir estando no cargo que lhe foi confiado pelo povo. No
entanto não podemos ser extremistas. Sabemos sim que o nosso sistema político é
manchado por várias mazelas que talvez jamais sejam limpas. Os casos de
corrupção crescem a cada dia. Toda a nação assiste extasiada aos casos absurdos
de desvio de dinheiro, de acuso de poder e tantos outros crimes que matam muito
mais que armas de fogo.
Estamos
chegando a mais um ano onde viveremos o grande movimento das eleições
municipais. Estas são vividas mais intensamente que as eleições para
governadores, presidente, deputados e senadores. É neste processo eleitoral
municipal que surge os vários nomes às candidaturas municipais. Nos municípios
pequenos temos os casos de pessoas de dentro do serviço pastoral, das paróquias
e grupos religiosos, bem como de outras religiões que escolhem assumir o
desafio de se candidatarem. Há casos em que esta atitude é muito rejeitada.
Refiro-me principalmente à Igreja Católica que é a que conheço. Já presenciei
casos em que pessoas bem quistas passaram a ser vistas como corruptos ou de má
índole. Ou seja, ao ingressar na política a pessoa é imediatamente rotulada
como que faça parte de um grupo de pessoas sem caráter.
Mas
gostaria de convidar a todos à uma reflexão diferente. A política, que é um exercício
humano muito antigo, requer de quem a assume uma postura correta, uma postura
idônea. A Igreja deve de fato se preocupar com os seus representantes dentro
dos poderes. A Igreja deve estar atenta as propostas e a tudo o que está sendo
decidido pelos nossos governantes, e nada melhor que a participação ativa de
nossos agentes de pastoral no sistema político, até mesmo para que a fé e a
religião seja algo presente em todos os âmbitos de nossa sociedade.
Defendo
uma política séria, na qual haja a participação de todas as instâncias de nossa
sociedade. Devemos nos unir sem preconceito, nem pensamento pequeno, com a
finalidade de fiscalizarmos o trabalho exercido pelos que são eleitos. O nosso
papel como cristãos é justamente não deixar que as coisas aconteçam por acaso,
mas sim devemos manter uma postura de pessoas atentas e que cobram, que gritam
e que jamais deixará a sociedade afundar em meio a tanta corrupção e
individualismo.
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