O Ministério Público da Paraíba está fazendo um levantamento sobre a situação dos abrigos de idosos no estado e detectou que a situação em algumas casas é precária e elas não teriam condições de estar funcionando.
O procurador Valberto Lira, coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Cidadania disse na tarde desta segunda-feira (17), que ainda não interditou esses abrigos porque não teria onde colocar os idosos.
"São problemas como precariedade física, descumprimento ao estatuto do idoso, recebimento de mais de 70% dos benefícios dos idosos, a exemplo de aposentadorias, e ainda falta de equipe de apoio e de equipe técnica, a exemplo de nutricionistas que façam o acompanhamento alimentar dos velhinhos", explicou.
Valberto Lira informou que existem cadastradas na Paraíba 39 instituições. O número de casas, conforme o procurador, é insuficiente para atender a demanda.
Ele disse ainda que um levantamento é feito para saber a população de velhinhos que vivem nesses abrigos no estado da Paraíba. Esse censo deve estar pronto até o mês de maio. "Como essa população é muito volátil e muda por conta da idade avançada, estamos realizando visitas para chegar até esse contingente", explicou.
O número de idosos que necessitam de assistência, na opinião do procurador, é bem maior que a quantidade de abrigos pode atender, por isso, ele disse que ao receber os relatórios sobre a situação, enviará os documentos às comarcas que convocarão o poder público e a sociedade organizada ao debate.
"Iremos firmar um termo de ajustamento para que o poder público possa fazer o que lhe é de obrigação e para que empresários possam adotar uma instituição e lhe oferecer ajuda, tendo em contrapartida, entre outras coisas, descontos fiscais", revelou.
O procurador Valberto Lira contou que a maioria dos idosos é colocada em abrigos por familiares que precisam trabalhar e dizem não ter condições de cuidar dos velhinhos. "Eles passam a ser um peso na vida desses familiares que inclusive abrem mão das aposentadorias e deixam que os abrigos fiquem com 100% do dinheiro", disse.
A preocupação com a assistência a esses idosos, principalmente no que diz respeito à equipe técnica, se dá por conta de problemas de saúde, como diabetes e hipertensão. Valberto Lira reforçou que além dessa assistência das instituições, os idosos precisam ainda ter acompanhamento médico continuado e é aí que entrariam as responsabilidades do poder público.
Existem abrigos de idosos em várias cidades do estado, entre elas João Pessoa (6), Campina Grande, Uirauna, Cajazeiras (3), Sousa (2), Pombal, Patos (2), Santa Luzia, Sumé, Picuí, Cuité, Remígio, Solanea, Belém, Guarabira, Mari, Santa Rita (2), Bayeux (2), Lagoa Seca e Cabedelo (2). Um novo abrigo é aberto no município de São José de Piranhas.
Com Portal Correio
