A campanha eleitoral de 2014 na Paraíba será marcada pela forte presença de grupos familiares na disputa pelo poder e na tentativa de manutenção e ampliação dos espaços políticos, que as lideranças chamam de bases eleitorais.
A disputa deste ano rememora o fim do século 19 e início do século 20, quando algumas famílias que mandavam, se perpetuaram no poder e mantiveram suas oligarquias por décadas, principalmente na chamada República Velha, que foi, na verdade, o primeiro período da República no Brasil, de 1889 a 1930.
Uma das oligarquias mais bem sucedidas e duradouras foi comandada com mão-de-ferro por Álvaro Lopes Machado e durou exatos 20 anos, entre 1892 e 1912.
Álvaro Machado foi presidente do Estado da Paraíba por duas vezes e foi o responsável pelo êxito de políticos como os seus irmãos João e Afonso Machado (que também governaram a Paraíba) e os ex-presidentes Gama e Melo, José Peregrino e Monsenhor Walfredo Leal, entre outros nomes de menor expressão, mas que obedeciam suas ordens e seguiam suas orientações políticas, conforme atesta o historiador José Octávio de Arruda Mello, autor do livro História da Paraíba: Lutas e Resistência, que está na 12ª edição.
Maranhão e Cunha Lima se revezaram
Hoje, a Paraíba não tem uma oligarquia no poder, porque o governador Ricardo Coutinho não apresenta características oligarcas familiares. Entre 1998 e 2006, dois grupos se revezaram no poder e fortaleceram suas oligarquias.
O primeiro caso envolveu Ronaldo Cunha Lima, que foi duas vezes prefeito de Campina Grande (a segunda cidade do Estado), foi eleito governador em 1990, se elegeu senador em 1994, depois foi deputado federal.
Em 2002, lançou seu filho, Cássio Cunha Lima, para governador. Cássio foi eleito em 2002 e reeleito em 2006, mas o mandato foi questionado na Justiça por José Maranhão. Em 2009, Cássio foi cassado e afastado do poder.
O segundo caso foi liderado por José Maranhão, que foi vice-governador de Antônio Mariz (oligarca descendente de um dos ramos da família Maia). Eleito em 1994, na chapa encabeçada por Mariz, José Maranhão assumiu o governo alguns meses depois, com a morte do governador.
Com Jornal Correio da PB
