Ligo a TV com todo o desejo de acompanhar o Jornal Hoje, no entanto não sabia que hoje (06), haveria esse sorteio para as disputas dos jogos da Copa do Mundo 2014. Quando conectei o canal estava justamente na hora em que a apresentadora estava introduzindo um quadro que falava das belezas do Brasil.

Com todo respeito a quem pensa o contrário, eu desaprovo completamente a realização deste evento em nosso país, levando em consideração a decadência que vivemos em vários âmbitos. Enoja-me mais ainda o fato de ouvir a voz irritante de Galvão Bueno, narrando estas belezas nacionais, que encantam os turistas, que na verdade, ao colocarem os pés e passearem por nossos lugares, vislumbram muitas coisas que a propaganda enganosa da TV (principalmente da Globo) jamais publica.

Tive a paciência de acompanhar a viagem pelas cidades sede da Copa, e sinceramente revoltei-me mais ainda. Deveriam mostrar além da grandiosidade de Natal no Rio Grande do Norte, a decadência nas escolas públicas não só estruturalmente na infraestrutura das escolas públicas, mas também nos salários dos professores de lá, pois os mesmos têm os salários mais vergonhosos de todo o Brasil. Sem falar na situação deplorável do sistema de saúde, que mata mais que salva.

E o que se diz de Natal, pode em parte se dizer do resto das cidades que acolherão os jogos. Deveriam apresentar a insegurança do Rio de Janeiro, no qual os turistas são verdadeiramente depenados pelos furtos que já são episódios fixos do dia-a-dia carioca. Quando Galvão falou do respeito pela natureza, gostaria que ele apresentasse o falta de cuidado com os rios. A poluição presente em todos os lugares, particularmente naquele Rio Tietê, que como disse Paulo Coelho em um sarcástico verso: "As beiras do Tietê sentei, e vomitei".

Ao invés de apresentares os corpos lindos das morenas popozudas, deveriam apresentar os rostos sofridos das heroínas brasileiras. Sabe aquelas que dormem a uma da manhã e acordam às quatro, para labutarem em vista do sustento de uma família. Deveriam mostrar as fazes desnorteadas do povo sertanejo, que míngua a espera de água, da água do São Francisco que em anos nunca foi transposta, com suas obras paradas, mas os estádios, ah os estádios em poucos anos se erguem, tomam os rumos dos céus, e para que? Para acolherem os ricos, pois pobres ali, só se for para vender pipoca, e detalhe, do lado de fora!

Deveriam apresentar, ao invés dos centros urbanizados e lindos das capitais, os subúrbios que mais parecem uma ferida que jamais cicatriza. Deveriam mostrar as escolas sucateadas, a merenda azeda, os pobres morrendo nas filas dos hospitais sem leitos para serem tratados dignamente, o sofrimento dos desempregados, as famílias carentes que vivem das esmolas de um governo que quer o povo ignorante e submisso, a situação das universidades públicas que acompanham o sistema corrupto do governo brasileiro, e desviam as verbas, deixando as instituições de ensino superior se deteriorando feito um cadáver jogado ao vento, a falta de comida em tantos lares e tantos outros males que fazem do nosso país uma nação em pleno estado de miséria.

Por fim, isso é pessimismo? Não! Isso é realidade! Essa é a figura do nosso país. Receberemos este vento mundial que gastou milhões, e vai gastar mais ainda. Enquanto isso falta comida, falta saúde, falta segurança, falta respeito e dignidades ao brasileiro que está pagando caro para que em poucos dias, se consuma rios de dinheiro, em detrimento de uma paixão de homens correndo atrás de uma bola.

Mas leva-se em consideração o que disse o inteligentíssimo Ronaldo, o Fenômeno: "Com hospitais não se faz copa". Caminhemos juntos ao precipício!

Colunista Wellington Santos
Graduando em Filosofia pela UFCG

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