A abertura de 4.902 novos empregos
registrados no mês de agosto mudou o cenário do mercado de trabalho
paraibano. Até o mês de julho, o Estado acumulava saldo negativo de
3.571 contratações. Com os postos gerados no mês passado, o saldo foi
revertido e ficou positivo pela primeira vez no ano (1.648).
Apesar da mudança de conjuntura, o
número de postos na Paraíba ainda está muito abaixo do que foi gerado
nos oito meses de 2012, cujo estoque de assalariados com carteira
assinada chegou a 10.318, o que representa uma queda 84% ou menos 8.570
empregos.
Mesmo com expansão de 1,31% postos de
trabalho com relação a julho, este foi o pior agosto dos últimos 10
anos. No mesmo mês do ano passado, o número de contratações chegou a
7.851 e em 2011 foi de 10.271.
Os destaques de agosto ficaram
concentrados no setor sucroalcooleiro com o início da moagem da cana de
açúcar e de serviços. Vale lembrar que o crescimento de pouco mais de
1% foi influenciado pela alta na quantidade de vagas nos setores da
indústria de transformação (1.940 novos postos) e da agropecuária (mais
1.718). Na terceira posição veio serviços (961 novos postos). Os saldos
da construção civil (216) e comércio (89) não foram tão significativos
em agosto.
Com relação aos estados do Nordeste, a
Paraíba ocupou a terceira posição no mês de agosto na criação de
empregos, ficando atrás do Ceará (6.781) e Pernambuco (7.387), primeiro
colocado no ranking. Depois da Paraíba vêm Bahia (3.955), Maranhão
(3.535), Rio Grande do Norte (3.219), Sergipe (1.237), Alagoas (1.127) e
Piauí (992). O saldo da região no mês foi de 33.134 empregos.
O supervisor técnico do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos na Paraíba
(Dieese-PB), Renato Silva, afirmou que o saldo inferior no acumulado
deste ano em relação ao mesmo período de 2013 foi puxado principalmente
pelo setor da construção civil, que apresentou saldo de 4.043 nos oito
meses do ano passado e apenas 198 deste ano.
Segundo Renato Silva, a indústria de
transformação também contribuiu para o quadro deste ano. Em 2012, o
setor tinha saldo positivo de 746 e este ano perdeu 3.049 vagas.
Outra atividade que contribuiu para a
queda no acumulado dos oito meses foi o comércio, que em 2012 tinha
incluído no mercado de trabalho 1.802 trabalhadores e este ano este
número foi de apenas 650 pessoas. “Somente com estes setores percebemos o
número de postos de trabalhos que perdemos no acumulado deste ano”,
reforçou Renato Silva.
Ao analisar os setores que estimularam a
alta deste mês, o supervisor técnico do Dieese-PB explicou que os
números de empregos estão relacionados à criação de contratações
sazonais ligadas à produção sucroalcooleira, que sofre bastante variação
dependendo da época do ano.
“Infelizmente temos um mercado bastante
sazonal, tanto no comércio quanto na indústria de transformação. No
início do ano, há queda nas vendas na atividade comercial e na produção
sucroalcooleira. Isso começa a melhorar a partir de maio, com o Dia das
Mães, e na produção do álcool e açúcar a partir julho”.
SANTA RITA LIDERA CRIAÇÃO DE POSTOS DE EMPREGO ENTRE AS CIDADES
O município de Santa Rita, que
concentra produção sucroalcooleira, liderou o número de empregos em
agosto (2.274). A capital ficou na segunda colocação (408), enquanto
Campina Grande apresentou o quarto lugar (180), atrás de Cabedelo
(253).
No acumulado do ano, João Pessoa lidera
a geração de vagas (4.461), enquanto Campina Grande apresenta ainda
saldo negativo (-30 postos). Apesar de liderar em agosto, Santa Rita
(-2.152) ainda acumula a maior perda de postos de trabalho em oito
meses.
