O motivo da demissão foi o episódio do
senador boliviano Roger Pinto Molina, que estava asilado havia um ano na
embaixada brasileira em La Paz e foi trazido para o Brasil em um carro
oficial brasileiro, embora não tivesse autorização do governo boliviano
para deixar o país.
Figueiredo estava em Nova York quando
recebeu o telefonema da presidente Dilma Rousseff com o convite para
assumir o comando do Ministério de Relações Exteriores. De acordo com o
Itamaraty, ele embarcou para o Brasil e deve chegar a Brasília na manhã
desta terça-feira (27). A posse deverá ocorrer nesta quarta (28), mas a
data ainda não foi oficialmente confirmada.
Na nota, Dilma “agradece” o trabalho de
Patriota à frente do Ministério de Relações Exteriores e informa que ele
será o novo representante do Brasil nas Nações Unidas. “A presidenta
agradeceu a dedicação e empenho do ministro Patriota nos mais de dois
anos que permaneceu no cargo e anunciou a sua indicação para a missão do
Brasil na ONU", diz o texto.
O encontro de Dilma com Patriota começou
pouco antes das 19h e durou cerca de 50 minutos. Depois do encontro, a
presidente e o ministro deixaram o palácio.
A cúpula do ministério passou o dia em
reuniões para tratar da situação do senador e do diplomata Eduardo
Saboia, encarregado de negócios da embaixada brasileira em La Paz, que
admitiu ter organizado a operação que trouxe Molina para o Brasil em um
carro oficial. "Tomei a decisão de conduzir essa operação, pois havia o
risco iminente à vida e à dignidade do senador", disse.
O senador viajou 22 horas de La Paz a
Corumbá (MS), onde na madrugada de domingo, pegou um jatinho junto com o
senador brasileiro Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de
Relações Exteriores do Senado, e desembarcou em Brasília. Na manhã de
domingo, o Itamaraty anunciou inquérito para apurar o caso.
Em junho deste ano, a Advocacia-Geral da
União (AGU), a Procuradoria Geral da República (PGR) e o Itamaraty já
tinham se posicionado contra ajuda ao senador boliviano Roger Pinto, que
queria deixar a Bolívia rumo ao Brasil.
O Ministério Público da Bolívia planeja
pedir a extradição de Molina, condenado a um ano de prisão no país por
suposto crime de corrupção. Ele responde a outros 20 processos na
Justiça boliviana (saiba como tramitará eventual pedido de extradição).
O fato de o governo brasileiro ter sido
surpreendido pela chegada do senador contrariou a presidente Dilma
Rousseff. A presidente e Patriota só teriam sido informados da fuga
quando o boliviano alcançou território brasileiro.
De acordo com o blog Panorama Político, de
Ilimar Franco, em "O Globo", há sete meses os ministérios da Justiça e
das Relações Exteriores do Brasil negociavam o caso do senador com o
governo da Bolívia. Segundo o blog, a sugestão para que Molina deixasse o
país teria sido feita informalmente por membros do governo boliviano.