A medida foi prontamente criticada por entidades da classe médica,
que consideram que ela pode “favorecer a exploração”. “Trata-se de uma
manobra, que favorece a exploração de mão de obra. Não se pode esquecer
que os estudantes já realizam estágios nas últimas etapas de sua
graduação e depois passam de três a cinco anos em cursos de residência
médica, geralmente em unidades vinculadas ao SUS”, declararam a
Associação Médica Brasileira (AMB), a Associação Nacional de Médicos
Residentes (ANMR), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Federação
Nacional dos Médicos (Fenam), em carta conjunta.
A alteração no currículo do curso de medicina foi divulgada durante a
cerimônia de lançamento do programa “Mais Médicos”, que visa a ampliar
as vagas de medicina no país e atrair profissionais para áreas que
carecem de atendimento. O evento, realizado no Palácio do Planalto, teve
a presença da presidente Dilma Rousseff.
“Estamos propondo criar um segundo ciclo de graduação. Todos os
estudantes de medicina, depois dos seis anos de graduação, ficariam dois
anos trabalhando na saúde popular no SUS”, disse Mercadante no
lançamento do programa federal.
Para realizar o ciclo adicional de formação no SUS, informou o
titular da Educação, os alunos vão receber uma bolsa custeada pelo
governo federal, além de uma autorização provisória para exercício da
medicina. As instituições de ensino terão de oferecer acompanhamento e
supervisão nas especialidades.
“Eles vão receber bolsa de estudo para fazer este trabalhão e esse
período poderá ser usado como residência médica. Ele vai terminar a sua
formação trabalhando no Sistema Único de Saúde, dando sua contribuição,
humanizando”, ressaltou.
Como a bolsa será paga pelo governo federal, durante esse ciclo de
estudo os alunos que estudarem em universidades privadas deverão ficar
isentos da mensalidade.
Mercadante destacou ainda no discurso que, para fixar médicos nas
periferias de grandes cidades e no interior das regiões Norte e
Nordeste, é preciso criar vagas de medicina e residência nessas regiões.
A meta do Executivo é criar 11,44 mil vagas em universidades públicas e
privadas até 2017, com enfoque para as regiões pobres.
“Não basta abrir cursos de medicina para fixar o médico na região. É
preciso residência médica e políticas na área de saúde. De outro lado,
os estados que concentram grande número de residência atraem médicos de
outros estados. É o caso de São Paulo, que tem baixa oferta de curso de
medicina, mas muitas residências médicas”, afirmou Mercadante.
Em seu discurso na solenidade, o ministro da Saúde, Alexandre
Padilha, ressaltou que a iniciativa lançada pelo governo federal já foi
adotada por outros países, gerando “impactos muito positivos”, como no
caso da Inglaterra.
“O Brasil propõe ao Congresso Nacional que a gente adote o modelo
inglês para aprimorar a formação dos nossos médicos”, destacou.