Uma
lei de iniciativa do governo federal que entrou em vigor no mês passado
determinou que as universidades federais não podem mais exigir nos
concursos para professor os títulos de mestre ou doutor dos candidatos.
Na prática, quem só tiver diploma de graduação pode agora disputar
todas as vagas abertas nas universidades. Até então, esses candidatos
eram aceitos como exceção.
Após ser procurado pela Folha, o governo afirmou ontem que
pretende alterar novamente a regra, para que as instituições possam
voltar a exigir diploma de pós-graduação, como condição primordial para a
inscrição.
O governo ainda não sabe, porém, se mandará um projeto de lei ao Congresso ou se editará medida provisória.
Dirigentes de universidades disseram à Folha que o Executivo não tinha a intenção de proibir a exigência de mestrado ou doutorado.
Houve um erro no projeto, segundo eles, só percebido quando as
universidades consultaram suas áreas jurídicas para abrir os concursos.
| Editoria de arte/Folhapress | ||
A mudança, porém, já trouxe resultados práticos.
A Federal de Santa Catarina, por exemplo, está selecionando 200
professores com diploma de graduação (inicialmente, exigia doutorado).
Na Federal de Pernambuco, os departamentos de física e de química decidiram suspender os processos por discordar da nova regra.
Desde a década de 1990, a praxe nos concursos é exigir que os
candidatos tenham doutorado ou mestrado, como forma de buscar melhor
qualidade no ensino e na pesquisa. Hoje, 90% dos docentes das federais
têm uma pós.
O Ministério da Educação passou a ser pressionado pelas universidades
após a consultoria jurídica da pasta publicar parecer confirmando que a
lei em vigor agora proíbe que as instituições barrem candidatos sem
pós.
“Manifestamos publicamente nossa insatisfação, por acreditar que, sem
titulação pós-graduada, a competência acadêmica e a formação de
recursos humanos ficarão seriamente comprometidas”, disse, em nota, o
departamento de física da Universidade Federal de Pernambuco, um dos
mais produtivos do país.
O Conselho Universitário da Unifesp (Federal de São Paulo) emitiu na
semana passada nota de repúdio à lei, por entender que ela fere a sua
autonomia de escolher o perfil dos novos docentes.
Folha