No
final da tarde desta quarta-feira, 3, o senador Cássio Cunha Lima foi
recebido em audiência pelo diretor da Agência Nacional de Águas (ANA),
Vicente Andreu Guillo. A pior seca dos últimos anos e o possível colapso
do Boqueirão dominaram a pauta do encontro.
O
senador foi, pessoalmente, pedir socorro para o Açude Epitácio Pessoa
(Boqueirão), que é o manancial responsável pelo abastecimento d’água de
Campina Grande e mais 17 municípios paraibanos. Segundo Cássio, “as
medidas anunciadas pelo governo federal são bem-vindas, contudo
extemporâneas. Cisternas e carros-pipa são insuficientes para salvar o
rebanho. O descaso prossegue.” Além disso, conforme tuitou, o senador
está extremamente preocupado com a situação do açude: “Prevenir para não
repetir. Só com a gestão da ANA, em parceria com a AESA, evitaremos o
racionamento. O Açude de Boqueirão exige atenção” – alertou.
O
problema é que, de acordo com estudo apontado na Pesquisa em Gestão e
Recursos Hídricos Superficiais e Subterrâneos, da Universidade Federal
de Campina Grande (UFCG), o açude encontra-se com capacidade de
acumulação reduzida em cerca de 50% - e está gradativamente ameaçado
devido às previsões de chuvas em 20% abaixo da média histórica para os
anos 2013, 2014 e 2015, evidenciando a possibilidade de colapso no
abastecimento d’água a aproximadamente 1 milhão de paraibanos.
Além
disso, Boqueirão, que alimenta 500 açudes na Paraíba - todos secos e
necessitando de recarga, tem volume atual de 222 milhões de metros
cúbicos e previsão de perda de 120 milhões de metros cúbicos em 2013. O
estudo da UFCG também sinalizou outro problema. Se não for cercada de
cuidados, a irrigação às margens do açude há de contaminar a qualidade
da água.
DESCASO
- Cássio quer uma política emergencial de redução de danos e medidas de
gestão para impedir que Boqueirão entre em colapso, já que, segundo
ele, “o descaso para com a devastação da seca é patente e lamentável”. O
senador lançou mão de dados disponibilizados pelo site Contas Abertas
para demonstrar o que afirma: “O Nordeste brasileiro vive a pior seca
dos últimos 50 anos. Apesar disso, as ações do governo federal
destinadas ao fenômeno climático tiveram execução de menos da metade dos
5 bilhões e 600 milhões de reais orçados para a sub-função orçamentária
‘Recursos Hídricos’ em 2012. Isso significa que apenas 42,4% da verba
autorizada, o equivalente a 2 bilhões e 400 milhões de reais, foi
efetivamente usado para minimizar os efeitos desoladores da seca” –
concluiu Cássio Cunha Lima.