Com o 'corre-corre' do cotidiano, muitas pessoas acabam optando por
fazer lanches rápidos, principalmente em carrinhos que circulam pelas
ruas do Centro de João Pessoa e que não oferecem o acondicionamento
adequado para os alimentos, do que investir um pouco mais de tempo em
uma refeição mais saudável, em restaurante ou em outros estabelecimentos
habilitados para o serviço. Especialistas alertam para os riscos à
saúde, e Vigilância Sanitária de João Pessoa afirma que fará trabalho
preventivo de orientação com comerciantes para o preparo e manuseio dos
alimentos, além de fiscalizações.
Para quem não tem uma profissão, o mercado informal é a saída para
garantir a renda familiar, a exemplo do vendedor de salgados José
Antônio. “Quando me vi desempregado e sem oportunidade no mercado,
encontrei no carrinho de lanche meu meio de vida. É através dele que
sustento minha família. No momento, é a única coisa que tenho condições
de manter para obter renda”, relatou.
Já para a vendedora Patrícia dos Santos, que trabalha em uma loja de calçados no Centro, o lanche é uma opção rápida e barata.
“Só tenho 1h de intervalo no horário de almoço, mas não dá tempo ir
em casa, então eu acabo optando por fazer um lanche do que ir almoçar.
Sei que não é saudável comer massas e frituras, ainda mais todos os
dias, mas para quem trabalha com vendas e precisa da comissão, o tempo é
ouro”, disse.
Segundo a engenheira de alimentos e professora adjunta do
departamento de Nutrição da Universidade Federal da Paraíba (UFPB),
Maria Lúcia da Conceição, a falta de acondicionamento adequado
proporciona a contaminação dos alimentos e a proliferação de alguns
micro-organismos, como bactérias e fungos, ao ponto de interferir na
saúde do consumidor. “Isso vai depender da quantidade e do tipo de
micro-organismo que esses alimentos vão desenvolver, podendo causar
intoxicação alimentar, em média 4h após a ingestão. Os riscos também vão
depender do estado nutricional do indivíduo, bem como do estado
imunológico, onde as crianças e idosos são mais vulneráveis”, explicou.
Maria Lúcia acrescentou que os salgados podem sofrer tratamento
térmico, já que depois de assados, se não houver acondicionamento, a
temperatura cai e compromete o produto, principalmente o recheio. “Se o
tratamento térmico não for eficiente os micro-organismos podem
sobreviver após a fritura dos salgados e encontrar condições para se
desenvolver, principalmente no recheio, comprometendo todo o produto.
Além disso, é preciso observar as condições de higiene no manuseio dos
alimentos para não haver a recontaminação”, alertou.
De acordo com a engenheira de alimentos, para não oferecer riscos à
população, “o ideal é que os salgados sejam produzidos e preparados no
mesmo dia do consumo, sendo preservado em uma estufa a 70°C para
preservar a temperatura do produto, pois se a temperatura alcançada após
o preparo for mantida até a ingestão, esse alimento não dará condições
para os micro-organismos se desenvolverem”.
Foto: Rizemberg Felipe e reportagem de Jaine Alves do JPOnline
