As
categorias do funcionalismo público estadual estão querendo sentar na
mesa de negociações com o governador Ricardo Coutinho (PSB) para
discutir o reajuste salarial que irá vigorar a partir de 1º de janeiro
de 2013. Um pedido de audiência foi protocolado pelo Fórum dos
Servidores, que é composto de onze entidades.
As entidades querem negociar um reajuste de 29,54% para os servidores
do Estado. De acordo com Gilberto Paulino, secretário de Relação
Institucional da CUT-PB, desde 2010 que o governo do Estado não repassa
as perdas totais dos servidores e o percentual solicitado faz jus às
perdas dos últimos anos. O fórum propõe a formação de uma mesa de
negociação permanente com o governo do Estado, para tratar tanto de
negociações salariais, quanto de outras reivindicações comuns para os
servidores públicos e para a sociedade em geral.
Segundo o diretor de formação sindical do Sindifisco-PB, Almir
Nóbrega, no ano passado o governador disse que receberia as categorias,
mas depois surpreendeu os servidores com a definição de um percentual
que não recuperou as perdas inflacionárias. “Estamos reivindicando
audiências com antecedência para provocar a negociação e evitar o que
aconteceu no ano passado”, explicou ele.
Os professores também solicitaram há poucos dias uma audiência ao
governador Ricardo Coutinho, mas segundo o presidente da Associação dos
Professores de Licenciatura Plena (APLP), Francisco Fernandes, o
governador não tem nenhum interesse de negociar com os servidores. “É
lamentável porque você tem uma data-base criada por ele próprio em que
os atores principais não participam. As decisões são imputadas goela
abaixo”, afirmou.
Os professores reclamam que as conquistas obtidas no governo de
Cássio Cunha Lima, como a criação do Plano de Cargos e Carreiras, não
estão sendo respeitadas pela gestão do socialista. “O nosso plano foi
totalmente desestruturado no governo dele. Tivemos as progressões
ignoradas”, disse o presidente da APLP.
Francisco Fernandes acrescentou que o governo falta com a verdade quando diz que cumpre o piso nacional dos professores.
Ele explicou que este ano foi dado um aumento de 10% para todo o
magistério, enquanto que o reajuste do piso nacional da categoria,
definido pelo Ministério da Educação, ficou em 22%. “Infelizmente não há
quaisquer discussões de índices com as categorias. O governador se
mostra arredio a qualquer tentativa de encontro com ele diretamente”,
lamentou.
Dentre as reivindicações dos professores estão a definição das
progressões horizontais e verticais, respeito ao plano do magistério,
cumprimento integral do índice de reajuste do piso salarial nacional e o
retorno da gratificação ‘pó de giz’ (Gratificação de Estímulo à
Docência – GED). Fernandes lamentou que o governador não receba o
funcionalismo. “Não há como você ficar alheio a um contato com as
entidades de classe. Ainda mais o governador, que foi forjado dentro do
movimento sindical”, afirmou.
Representantes do governo foram contactados para falar sobre as
reivindicações dos servidores. A Secretaria de Finanças, por meio da
assessoria de imprensa, informou que só a secretária de Administração,
Livânia Farias, poderia dar as informações. No entanto, ela não foi
localizada. Já no Palácio da Redenção, os assessores ligados ao gabinete
do governador não souberam informar onde foi parar o pedido de
audiência protocolado pelo Fórum dos Servidores.
Com JP