Após
julgarem as práticas fraudulentas que ocorreram na gestão do Banco
Rural, os 10 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciam nesta
segunda-feira (10) a análise dos supostos crimes de lavagem de dinheiro
cometidos pelo grupo de Marcos Valério, com apoio de dirigentes da
instituição financeira de Minas Gerais, para encobrir os pagamentos de
propinas a políticos em troca de apoio no Congresso.
O novo capítulo do julgamento será
deflagrado com a leitura do voto do relator do processo, ministro
Joaquim Barbosa. O magistrado não tem prazo para concluir sua
manifestação.
Dez pessoas ligadas às agências de
publicidade de Marcos Valério e ao Banco Rural foram denunciadas pela
Procuradoria-Geral da República (PGR) por, supostamente, terem
colaborado nas operações para dissimular os repasses de dinheiro em
espécie a parlamentares.
Do núcleo publicitário do mensalão,
respondem por lavagem de recursos o próprio Marcos Valério, seus sócios
Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, seu advogado Rogério Tolentino, e duas
funcionárias de suas empresas: Simone Vasconcelos e Geiza Dias.
Ex-diretora administrativa da SMP&B,
Simone é acusada pelo Ministério Público de efetuar os saques das verbas
no Banco Rural e repassá-las aos beneficiários do esquema em agências
bancárias, quartos de hotéis ou na sede da empresa em Brasília.
Já Geiza, que à época em que teriam
ocorrido as irregularidades ocupava o cargo de gerente financeira da
SMP&B, é suspeita de auxiliar na distribuição dos recursos. Sua
principal função, alegam os procuradores da República, era encaminhar ao
Banco Rural os nomes dos destinatários dos valores.
No Banco Rural, quatro executivos
respondem por lavagem de dinheiro: Kátia Rabello (ex-presidente), José
Roberto Salgado (ex-vice-presidente), Ayanna Tenório
(ex-vice-presidente) e Vinícius Samarane (ex-diretor e atual
vice-presidente do banco). Os quatro foram julgados por gestão
fraudulenta na última rodada de votos dos ministros, que se encerrou na
quinta (6).
Apenas Ayanna Tenório acabou absolvida das
acusações de fraude na administração da instituição financeira. Os
outros três dirigentes foram condenados, mas ainda aguardam a definição
das penas, que irá ocorrer somente no final do julgamento.
O item 4 da denúncia da PGR, que trata da
suposta prática de lavagem de dinheiro no esquema operado por Marcos
Valério, relata que a “sistemática” criada pelos dirigentes do Banco
Rural possibilitou a transferência, em espécie, de grandes somas em
dinheiro com a ocultação da origem e do destino final dos recursos.
Segundo os procuradores da República, após
ser “informado” pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares sobre o valor
da propina e o nome do destinatário, Marcos Valério acionava as
engrenagens do esquema de dissimulação do dinheiro. Na maioria das
vezes, a verba era entregue a intermediários dos envolvidos.
Além de oferecer a estrutura da
instituição para operacionalizar os pagamentos, ressalta o Ministério
Público, os dirigentes do Banco Rural também teriam deixado de comunicar
as autoridades financeiras do país sobre as operações suspeitas.