Quase 100 dias colocando leite para o Programa Leite da Paraíba sem que o produtor rural e as usinas de beneficiamento do produto recebam os recursos financeiros referentes a venda está colocando em risco a cadeia da pecuária caprina e bovina no estado.

A interrupção no pagamento do programa Leite da Paraíba está ainda colocando em situação crítica os mercados locais que dependem do dinheiro referente aos 120 mil litros de leite vendidos diariamente ao programa governamental.

Os produtores na outra ponta estão endividados e sem poder saldar seus débitos junto as casas de ração, mercadinhos, mercearias, padarias dentre outras.

Produtores e representações do segmento leiteiro dos municípios de Gado Bravo, Barra de Santana, Boqueirão, Caturité e Cabaceiras se reuniram na última quinta-feira, na cidade de Barra de Santana, para discutir a problemática e planejar uma ação política capaz de esclarecer à sociedade paraibana e brasileira sobre a realidade e riscos pelos quais o governo está colocando os produtores de todo o estado.

“Está ficando cada vez mais difícil, você vê os produtores já se endividando sem ter mais o que fazer para alimentar o rebanho e alimentar sua própria família porque com o atraso de três meses não tem produtor que agüente”,comentou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra de Santana, Paulo Medeiros Barreto.

Ele defendeu ser necessário a organização dos produtores para sensibilizar o governo no sentido de resolver o problema.

“Eu acho que a única forma da gente tentar resolver essa questão é realmente fazer uma grande mobilização com a camada envolvida na produção, os produtores e seus familiares também porque está afetando os familiares desses produtores e o caminho é esse”, explicou o também presidente sindical que é também diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Henri Daniel Sousa Pombo é presidente da CAPRIBOV, Cooperativa dos Caprinocultores de Cabaceiras e lembrou que os agricultores além de enfrentarem problemas em consequência da seca, da Cochonilha do Carmim, agora enfrentam a falta de pagamento por parte do governo.

“A gente fica triste por passar por um momento desse entrando para quase 100 dias de atraso, com isso os produtores estão altamente desestimulados, em Cabaceiras pra você ter uma idéia a gente tinha uma produção em torno de 800 litros de leite por dia e hoje a gente caiu mais de 40%”, explicou.

Geraldo Gonçalves da Rocha é pecuarista e agricultor familiar no município de Gado Bravo e explicou que a situação naquele município é grave porque as famílias agricultoras têm a venda do leite como complemento importante no orçamento da renda familiar e, com o não recebimento, os fornecedores de ração cortaram a venda de alimentos animais e a tendência é dos produtores começarem a se desfazer de seus animais desfalcando o plantel.

O agricultor familiar e diretor da Associação dos Caprinocultores e Ovinocultores do Município de Cabaceiras, João Lázaro Lima, informou que a situação está muito complicada naquele município já que a produção já caiu mais de 50%, o pessoal não tem mais como alimentar os animais por falta da circulação das finanças.

“Inclusive tem um pessoal lá agora que está com as cabras lá pra parir, mas já disseram que não vão botar leite porque estão com medo de botar o leite e não receber”, explica aquele agricultor em forma de lamentação.

Com Domingo Rural

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