
Por Wellington Santos
Graduando em Filosofia pela UFCG
1. Os dias vão passando e vou percebendo que o bom senso de muita gente decai de forma continuada. Não existe pensamento de coletividade, mas somente um pensamento individualista de quem acha que vive sozinho nesse mundo. De fato, existe muita gente que se coloca dentro de um globo completamente fechado, ou até mesmo como o centro do universo desejando que todas as atenções se voltem sobre si. Lá vem o São João. Os desejos pelas farras crescem exageradamente nessa época. De boca em boca correm os mesmo comentários, as mesmas indagações: Quais serão as bandas que vão animar o São João aqui em nossa cidade? Este questionamento é o principal nas rodas, nas calçadas, nas escolas, nos campos de futebol e em todos os lugares e de forma tão particular em nossas cidadezinhas. Quando estamos nos organizando em casa devemos começar a nossa organização por aquilo que é prioritário. Não podemos dar mais valor para o que é supérfluo. Temos que dar maior importância para aquilo que é mais urgente e necessário em nosso ambiente diário. Essa prática se aplica ao nosso trabalho, aos estudos e tudo aquilo que precisa de planejamento e organização. Na administração não deveria ser diferente. Os governantes têm por direito e dever de quem administra, de organizar a casa. Dar prioridade ao que mais é preciso. Dar mais valor a tudo o que for para o povo e não para determinados grupos. O governo, administração é de todos e não de um grupinho seleto que não pensam na coletividade. Vamos dar uma voltinha nas condições de serviço público que são de responsabilidades do governo no garantir.
2. A base de uma boa convivência é a educação. Um ser mal educado jamais convive bem com ninguém. Uma pessoa sem educação jamais conseguirá respeitar o direto dos outros. Já nos ensinavam os filósofos antigos, quando traçavam em seu modo ético de pensar que a educação é parte primordial para que o homem tenha moral e seja reconhecido por suas virtudes. Logo, uma pessoa sem educação é aquela pessoa que não tem limites e nem reconhece os limites dos outros. Olhe agora ao seu redor! O que é que você mais enxerga? Exatamente! Pessoas sem educação. São pessoas que não compreendem o básico dessa dádiva. Encontramos gente assim em todos os lugares e em todos os níveis. Mas não se engane! Entre os sábios e entendidos existem muitos mal educados. Quantos dos nossos governantes e representantes dos poderes são homens e mulheres que não sabem o mínino do que seja moral e ético. As nossas escolas não trabalham este assunto que está na centralidade do bem viver. Nas escolas não temos mais os sentimentos de querer construir uma sociedade respeitosa e ética, mas existe somente o pensamento de se passar depressa pelo tédio de ir para as aulas. Existe somente o desejo de terminar os estudos, ser sábio, ter um diploma na mão, um certificado, um papel que não passa de um mero tempo perdido, pois de nada adiante ter todas as fases do ensino concluídas, mas não ter o mais simples e essencial de tudo: A EDUCAÇÃO BÁSICA. Espírito de humanidade. Nosso sistema de ensino nos prepara sermos individuais e não para termos o verdadeiro sentimento de cidadania.
3. Por sermos cidadãos, por contribuirmos com o estado, temos o direito à uma saúde de qualidade. Temos isso? Nunca! Pensar hoje num sistema de saúde organizado é quase uma utopia. Desde a Região Norte até a Região Sul do Brasil, de leste a oeste o que temos notícia é de um sistema de saúde caduco que ao invés de salvar mata. Nos hospitais não há vaga. Quando se tem vaga é depois de muita peleja. Há pessoas que passam dias e mais dias nas filas e quando no limiar de sua vida estão arrasados, aí sim, são atendidos, mas não há mais tempo. Mas agora vem o melhor. Na parte dois deste texto, tratei da falta da educação no meio social. Vocês já perceberam como existem pessoas mal educadas no sistema de saúde? Desde os assistentes sociais até os médicos que nos atendem, quase todos nos tratam com desdenho. Quando se chega para se fazer uma consulta, existem médicos que perguntam: O que é que você tem? (Fala sério. Se eu soubesse não tinha vindo aqui). Somos mal atendidos. Eles mal olham para nós. Prescrevem uma pílula qualquer e pronto. Morra! O caso é sério. E mais ainda, é alarmante. Fala-se de código de ética da medicina, mas na verdade nós sabemos que a ética da maioria dos servidores da saúde está somente ligada ao seu salário. Recebem seu salário e pronto. Vejam! Do problema da educação já temos mais um problema: profissionais mal formados moralmente.
4. Pelo mesmo fato de sermos cidadãos temos o direito à acessibilidade. Deveríamos ter facilidade a tudo o que é de direito. Bom atendimento na Justiça, nos demais setores públicos, bom acesso aos lugares públicos, tendo ruas organizadas, limpas, com vias para pedestres, para que se acabasse essa briga eterna de quem anda e de quem dirige nas ruas movimentadas. Temos isso? Não! Para conseguirmos atendimento pela Justiça, só teremos rapidez ao acesso se for de forma particular. Quando dependermos o Ministério Público, ficaremos numa grande fila esperando que um dia possamos ser atendidos. Nossas ruas são completamente desorganizadas. Falta acesso aos deficientes, falta uma sinalização mais clara e direta para que todos saibam até onde vai o seu direito. Enfim, vivemos numa verdadeira bagunça. Num salve-se quem puder.
5. A organização deve começar pela base. Se o principal nos falta, como que podemos cobrar o secundário? Festa públicas, pagas pelo dinheiro público, deveriam ser feitas quando o principal já está em dia. Com a sobra. E isso nós não temos. Estamos passando por uma crise com a falta de chuva, mas ainda temos inúmeras pessoas que pensam e cobram festa no meio da rua para a “diversão” do povo. Ok! Quem apóia que um governante deve deixar de organizar o primordial, para satisfazer os desejos supérfluos de um mero grupo de pessoas, jamais pode cobrar que algo de bom seja feito. Nas nossas cidades pequenas, que tudo depende do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), que é um repasse dado pelo Governo Federal para a sustentação das contas municipais, será se não seria bem melhor que este dinheiro – que é muito – que é pago às bandas de berradores que vêm horrorizar a cultura do nosso povo, fosse aplicado na melhoria da qualidade de vida do nosso povo? Por exemplo: construção de uma unidade de saúde para que diminuíssemos a super lotação por atendimentos de baixa complexidade; calçamento de ruas que ficam inacessíveis em época de chuvas; saneamento básico para que não vivamos dentro de uma grande fossa; e tantas outras medidas que se fosse aqui descrever usaria todo o resto do meu tempo. Façamos essas perguntas nas ruas. A grande maioria vai querer festa na rua. Música ruim e cachaça. Prostituição e palavrões. Afinal é essa a educação que muitos recebem.
6. Falamos de educação, mas qual é nossa contribuição para que ela se aplique? Aqui percebemos que a educação é o pilar que sustenta todos os outros setores. Sem ela nada se organiza. Mas infelizmente vemos que estamos longe de vermos uma sociedade educada. A cada dia está piorando e vamos sendo vítimas de um sistema que deseduca. De um sistema que quer pessoas burras, pois os nossos políticos querem isso: homens e mulheres que não sabem o que são seus direitos. Homens e mulheres que se contentam com a esmola da família (vulgo bolsa família). Pessoas que acham que acham que basta um atendimento de saúde básica. Que se entregam para os que dão uma caixa de Diazepam, um botijão de gás, uma cesta básica, uma dentadura, etc. E assim vamos caminhando rumo ao caos total. Não temos a quem recorrer a não ser ao tempo e as experiências, pois só eles poderão fazer com que todos percebam o quanto perderam em não terem se dedicado a dar importância ao que era essencial.
Concluindo: Vai lá! Cobre de seu prefeito, de seu governador para que coloquem nas ruas bandas de excremento musical para divertir a galera! Mas antes de fazer isso vá aos hospitais, vá às periferias nas quais têm pessoas que nem farinha tem para comer com sal. Vá às escolas veja a péssima qualidade de nosso ensino público. Faça uma avaliação bem apurada do que falta de primeiro na sua cidade, no seu estado, no seu país. Depois veja se há como realizar os meros desejos de grupinhos que não têm pensamentos de cidadãos. Veja o caos que estamos vivendo e reflita se vale apena compactuar com o gasto excessivo de dinheiro com o que jamais vai ser para o bem do nosso povo.
Cariri em Foco