A seca existe, é um fenômeno climático, mas é possível conviver bem
com ela, desde que ocorra mudança de filosofia de vida, no que diz
respeito à produção agrícola, a partir de projetos viáveis a este tipo
de clima, realidade que já ocorre em várias regiões áridas do mundo.
Esta foi uma das afirmações feitas pelo professor e cientista Luiz
Carlos Baldicero Molion, que proferiu palestra sobre “Previsões
Climáticas para a década 2012/2022”, na tarde desta tarça-feira (22.05),
na Assembleia Legislativa da Paraíba, proposta pela Frente Parlamentar
da Seca.
O professor disse que o Nordeste é um “paraíso” e que a vocação da
região é agrícola, tem mais chuva que muitas regiões áridas do mundo,
mas que é preciso investir em culturas rentáveis. “Os Estados Unidos tem
lucro de dezesseis bilhões de dólares por ano, com plantas medicinais.
Aqui, na Paraíba, precisamente em Mamanguape, está sendo produzida uva
de boa qualidade”, ressaltou.
O professor Luiz Carlos Molion informou que o estado da Califórnia,
no Estado Unidos, foi transformado no “pomar do mundo”, apesar de ser
uma região árida, onde a precipitação pluviométrica anual é inferior a
do Nordeste brasileiro. “O que falta ao Brasil é uma mudança de
filosofia, de mentalidade quanto à forma de conviver com a seca. A seca
existe, mas é viável conviver com ela, inclusive, tirar proveito desse
tipo de clima. É preciso aliar obras de infraestrura e tecnologia a
culturas viáveis às condições climáticas da região Nordeste”, declarou.
Outro exemplo citado pelo cientista Molion foi a região desértica da
Austrália, local onde também é registrada grande produção agrícola.
“Ninguém ouve falar que o australiano se queixa da seca, no que pese o a
Austrália contar com grande área semiárida. Isso ocorre porque o
australiano aprendeu logo a conviver com os períodos prolongados de
estiagem”, comentou.
Por fim, o professor revelou que não existe ainda no mundo
equipamento capaz de garantir previsão precisa para projeções de longo
prazo mas que as estatísticas, com base em estudos e realidades vividas
nos últimos anos, dão uma luz aos meteorologistas no sentido de que
possam fazer projeções, com pouca margem de erro, prevendo assim as
condições climáticas numa perspectiva de dez anos, por exemplo.
“A seca é um fenômeno repetitivo e as previsões projetam períodos
prolongados de estiagens para os próximos dez anos, nas regiões áridas e
semiáridas, a exemplo do nordestino. A partir dessa projeção, os
governos terão condições de traçar planos e metas voltadas a conviver
com as secas que virão. Na dúvida, é bom tomar mediadas no presente,
como armazenar água, porque ninguém sabem que seca virá num prazo de um
ano”, alertou o palestrante.
O deputado Francisco Quintans (DEM), presidente da Frente Parlamentar
da Seca, disse na ocasião que a distância entre o discurso e a prática é
o ponto principal que causa dificuldade as pessoas que convivem com a
seca, no Nordeste. “Existe uma distância grande entre a boa vontade do
governo e as ações que concretamente são implementadas”, disse.
O parlamentar acrescentou que “a seca é um fenômeno que já está
caracterizado como cíclico, ou repetitivo, como preferem os técnicos,
mas muito pouco tem sido feito no sentido de minimizar os seus efeitos,
que incidem ano pós ano no Nordeste brasileiro, realidade que atinge de
forma devastadora o agricultor nordestino”.
O evento contou ainda com a participação da professora Marley
Bandeira, técnica Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da
Paraíba (Aesa), que discorreu sobre “Precipitação Pluviométrica no
Estado.
Ascom