Durante o debate do julgamento de Lindemberg Alves, de 25 anos, a
advogada de defesa disse que não pretende que o réu seja absolvido da
acusação de matar a ex-namorada Eloá Pimentel. 'Ele errou, tomou as
decisões erradas e deve pagar por isso, mas na medida do que ele
efetivamente fez', disse Ana Lucia Assad.
Segundo a defesa, no
entanto, Lindemberg deve ser condenado por homicídio culposo, porque ele
agiu com culpa consciente, mas não previu o assassinato. 'Ele não
desejou o resultado', afirmou a advogada, 'ele sofre pela morte dela',
completou.
Ana Lucia voltou a atacar a mídia ao apontar outros
possíveis causadores da Eloá. 'No meu ponto de vista, há dois
corresponsáveis por este processo. Alguns membros da imprensa e alguns
policiais. Não podemos dar essa conta toda para o Lindemberg pagar. Isso
não é justiça.'
A advogada também defendeu o réu sobre a
tentativa de homicídio contra Nayara Rodrigues, amiga de Eloá que também
foi feita refém em Santo André. Segundo Ana Lucia, a menina 'voltou ao
apartamento porque quis'. 'Ele não tentou matar a Nayara. Ele se
assustou e atirou. Condenem-o por lesão corporal culposa', afirmou ao
júri.
Imagem. A defesa também projetou a imagem de Lindemberg para
os jurados. 'Enxerguem esse rapaz como um parente dos senhores, pois
ele não é bandido. (Ele) não falou antes porque eu sabia que ele seria
pronunciado e a decisão caberia aos senhores'.
Para Ana Lucia,
Lindemberg é um bode expiatório para responder pelo crime. '(Ele) é a
bola da vez. Isso acontece só porque ele é pobre.' E acrescentou:
'Esperamos que os senhores saiam daqui com a certeza de terem tomado a
decisão certa'.
Terceiro dia. Lindemberg Alves quebrou o silêncio.
No terceiro dia de júri, o réu confessou ter atirado contra a
adolescente após um movimento brusco da parte dela, mas não se lembra do
disparo contra Nayara Rodrigues.
Segundo ele, o tiro contra Eloá
foi dado depois que ouviu uma explosão na porta do apartamento em que
mantinha a vítima refém havia mais de cem horas, em Santo André, no ABC.
Ao ser interrogado, disse ainda que, durante todo o episódio, esteve
nervoso, pressionado pela presença da polícia e ainda acreditando em uma
suposta traição de Eloá.
Logo no início do interrogatório,
Lindemberg se mostrou seguro e pediu perdão à família da vítima.
'Entendo a dor da dona Tina (Ana Cristina, mãe de Eloá) e aproveito a
oportunidade para pedir perdão por tudo o que aconteceu, em público',
disse.
Segundo dia. O depoimento do negociador do Grupo de Ações
Táticas Especiais (Gate), capitão Adriano Giovanini, causou um choque de
versões. Mais de três anos após a morte de Eloá, no ABC, ele continua a
afirmar que um disparo no apartamento motivou sua invasão pela Polícia
Militar. Sua versão diverge do que relatou a única testemunha ocular, a
estudante Nayara Rodrigues da Silva, que alegou que Lindemberg só atirou
após ação do Gate.
Na parte da manhã, os depoimentos que mais
chamaram a atenção foram os dos irmãos da vítima: testemunharam o
caçula, Everton Douglas Pimentel e Ronickson Pimentel dos Santos. Em
ambos os relatos, os garotos ressaltaram a agressividade e o
desequilíbrio de Lindemberg em querer a posse de Eloá. 'Uma pessoa
dessas não pode ser considerada ser humano. Podem dizer que era
trabalhador, não importa. Ele não é digno de estar na sociedade'.
Primeiro
dia. Na segunda-feira, a principal testemunha foi a de Nayara, amiga de
Eloá. Emocionada ao relembrar da tragédia e mesmo confrontada pela
advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, ela garantiu que Lindemberg
planejou o crime. Eloá 'não sairia de lá viva', segundo disse.
Foram
ouvidos também os dois amigos de Eloá mantidos como reféns - Victor
Lopes e Iago Vilela de Oliveira, ambos de 18 anos. Os dois confirmaram
que Lindemberg tinha intenção de matar Eloá desde o início e relataram
que foram agredidos pelo réu. Iago prestou depoimento na frente do
acusado e afirmou que ele se 'gabava do poder' que adquiriu ao invadir o
apartamento, no ABC paulista.
Com MSN
