Por alguns momentos me
coloquei a cogitar sobre os vários temas que nossa humanidade controverte na
atualidade. Passando e repassando páginas de jornal. Mudando os canais das
emissoras televisivas, deparei-me sempre com um assunto muito interessante, que
dedicarei a me expressar neste artigo. Refiro-me à HOMOFOBIA. Considero um
assunto de suma importância a ser refletido por nós, pois é um alerta geral a
quantidade de atos violentos que são dirigidos pelos desumanos a tantas pessoas
que vivem de uma maneira “diferente” das outras a sua sexualidade.
Inicialmente eu faço
uma crítica à forma com que a sexualidade das pessoas é comentada. Digo isto,
pois nas nossas conversar diárias, nos grandes debates e em todos os lugares
quando o assunto é sexualidade, insiste-se em falar de opção sexual. Mas afinal, o que é opção
sexual? Para definir isso, eu os convido a comigo fazerem um estudo
sobre a palavra opção. No dicionário da língua portuguesa opção significa Faculdade, ação de optar, de escolher entre
duas ou várias coisas. Bem! Aqui focou bastante claro. Se a opção
é uma faculdade na qual eu poderei escolher determinadas situações eu
imediatamente chego à seguinte questão: Sou eu quem determina a minha
sexualidade? Ou sendo mais claro: Sou eu quem escolhe se vou sentir-me atraído
pelo sexo feminino ou masculino? Cabe a mim, em minha plena consciência
determinar na altura de minha maturidade qual o caminho que vou trilhar?
Sabemos muito bem que não. Nunca existiu – e creio que nunca existirá – uma
pessoa com tal poder. Bem sabemos que a sexualidade, ou seja, o gosto sexual de
uma pessoa está muito bem determinado nela mesmo. Ser homo ou heterossexual
está muito além da vontade humana.
Vejo, portanto, que nós
não temos uma opção sexual, mas sim uma condição sexual. Acorro mais uma vez
ao dicionário da língua portuguesa para explicar essa segunda proposta.
Condição é a maneira de ser, o estado ou circunstância na qual se encontra a
pessoa ou o objeto. No que se referem ao nosso gosto sexual nós não temos uma opção
e sim uma condição. Já nascemos condicionados a vivermos eternamente
sob a circunstância que nos encontramos. Não há ninguém que possa mudar isso em
nós, pois esta muito além de nós.
Depois de chegar a esta
conclusão, descido partir para o ponto seguinte de nossa conversa: agora
debruçarei minha tese sobre a homofobia. Este, é um sentimento de
repressão, medo seguido muitas vezes de atos violentos às pessoas que estão
dentro da condição sexual homoafetiva. São pessoas que são intolerantes e
que de forma alguma aceitam conviver – e em casos extremos até mesmo ter algum
contato – com estes seres iguais a si, mas que vivem algo que nossa humanidade
determinou que é diferente. E isso é um absurdo. Hoje e sempre foi o homem que
em seu autoritarismo cria, rege e determina o que é ou não de direito. No
entanto, o homem em seu criar de leis e determinações esquece que este assunto
que nós hoje discutimos está além das nossas faculdades e determinações. Como
eu disse anteriormente, não sou eu quem determina o que serei e como serei.
Minha personalidade e tantas outras coisas em mim já estão determinadas e isto
nunca poderei mudar.
Pois bem! Se um homem
ou uma mulher é colocado no mundo numa condição irreversível da homossexualidade,
nunca caberá a um heterossexual de ignorância extrema, querer mudar tal
realidade afirmando que a pessoa vive uma condição fora dos padrões. Claro!
Vive fora dos padrões determinados por uma sociedade individualista que nunca
pensa no outro. Vemos que está na hora de mudar essa realidade individualista e
nos ligarmos a coletividade, ao pensamento de que o outro existe e o mundo do
outro é diferente do meu. O outro tem suas condições, pensamentos, angústias e
desejos da mesma forma que eu tenho. A homofobia é o ato mais extremo da mais
pura ignorância humana. Ser homofóbico – que hoje é uma moda – é não ter a
mínima consciência nem sabedoria capaz de raciocinar que o que eu vivo é
diferente daquilo que o outro vive.
Assim como é
irreversível para um heterossexual tornar-se por sua vontade homossexual, a
mesma regra aplica-se aos que, por condição de funções além da nossa capacidade
determinativa, jamais poderão reverter o seu quadro condicional. Já bem nos
disse o excelentíssimo ministro Ayres Brito do Supremo Tribunal Federal, que em
seu brilhante voto sobre o reconhecimento da união homoafetiva, afirmou que com
o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo ninguém sairia perdendo.
Alguém sairia perdendo se tal direito não fosse concedido aos milhares de
homens e mulheres que vivem nesta condição, ou seja, os homoafetivos. Com tal
regularização, o nosso país daria assim um grande passo mudando uma estrutura
arcaica onde éramos obrigados a nos adequarmos às regras já ultrapassadas de uma
sociedade que em muitos momentos viveu um grande autoritarismo.
Não sou eu quem
determina o que serei, nem muito menos será a sociedade, o governo, as
religiões ou qualquer outra entidade que poderá ditar para quem quer que seja a
condição que a pessoa deve se adequar segundo os seus preceitos e preconceitos.
Temos que ter a consciência de que nascemos em uma condição e esta condição é
uma circunstância que está bem além do que posso ter o controle. Vejo que neste
fato, assim como um dia aconteceu com a Filosofia, quando o filósofo alemão
Kant, realizou a Revolução Copernicana em Filosofia, tirando o objeto do centro
e colocando o sujeito como o centro de tudo, hoje, sem dúvida, essa revolução
deve ser realizada em nosso meio. Temos que tirar as regras do centro e colocar
a nossa sensibilidade. Temos que colocar no centro as necessidades humanas e
acima de tudo as condições que já temos. Digamos NÃO a todo tipo de
intolerância. Vamos com um espírito civilizado estabelecer uma sociedade aberta
e inteligente que conversa e não que grita como se estivéssemos eternamente
lançados as subversões da mente humana ignorante e autoritária.
Por: Wellington dos Santos
Graduando
em Filosofia pela Universidade Federal de Campina Grande
UFCG.
