Estado da Paraíba está na frente em genética bovina no País

A Paraíba está na vanguarda do melhoramento genético de bovinos por ser detentora de rebanhos de raças de excelência, como a Sindi, de origem paquistanesa, e a Guzerá e Gir, ambas de origem indiana e que possuem aptidão ao clima quente e seco do Nordeste, além de serem grandes produtoras de leite, chegando até 25 litros por ordenha.
O Estado possui o maior rebanho de sindi, com um total de oito mil cabeças, e também conta com o maior número de criadores, desbancando estados como Minas Gerais e São Paulo. A informação é do presidente da Associação Brasileira de Criadores da raça sindi (Abcsindi), Paulo Roberto Leite.
Além da sindi, outras raças criadas na Paraíba, como a Guzerá e a Gir estão sendo consideradas como rebanhos de genética pura. O fato chamou a atenção de pesquisadores da Universidade de Uberaba (Uniube), em Minas Gerais, que firmou convênio com a Empresa de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa) e com criadores particulares, para promover a perpetuação dessas espécies através do processo de fertilização in vitro. Foram levadas para Uberaba cerca de 200 reses, incluindo alguns touros.
Deles, será retirado o semêm e das vacas, os óvulos, para serem inseminados em vacas receptoras. Em apenas dois anos, serão produzido 500 novas espécies. Deste total, 45% será destinado à Paraíba e 55%, ficará com a Uniube.
Seis municípios se destacam
De acordo com Paulo Roberto, na Paraíba, o maior número de criação das raças Sindi, Guzerá e Gir, se concentra nas cidades de Campina Grande, Taperoá, Umbuzeiro, Itaporanga, Queimadas e Alagoinha, além de outros municípios, que também criam, porém em menor escala. Ele explicou que essas espécies, por serem resistentes ao clima e as pragas, têm se tornado ao longo do tempo a melhor alternativa para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária no Estado.
“Elas são muito resistentes, comem de tudo e, na seca, elas são semelhantes aos bodes, que comem todo tipo de planta. Não tem tempo ruim para essas espécies e elas são muito produtivas”, destacou Paulo, que tem uma propriedade na zona rural de Queimadas, onde cria mais de 100 cabeças de reses Sindi.
Seu Paulo ainda destacou que o preço médio de uma vaca destas raças chega a custar até R$ 9 mil e que elas estão constantemente em leilões, onde a procura dos criadores tem aumentado consideravelmente. “Tem uma vaca da Emepa que ganhou um concurso em João Pessoa, como a vaca mais leiteira. Dela, é possível retirar até 37 litros de leite em uma ordenha. Além do mais, são animais muito dóceis e bons de controlar. Eles se viram por conta própria, indo aos locais onde têm qualquer tipo de alimentação, mas fome não passam”, ressaltou.
Além de todas as vantagens, as vacas, especialmente da raça Sindi, são muito férteis. Na maioria dos casos, elas conseguem dar duas crias por ano, quando outras espécies, normalmente, só dão uma cria. As vacas Sindi, Guzerá e Gir possuem uma expectativa de vida maior do que outras raças, e podem chegar a viver até 20 anos. “Elas têm um tempo de vida maior e em todo esse tempo, elas continuam dando crias, gerando novas espécies sem dificuldades”, disse Paulo.
Uniube constata pureza das raças
Interessada em estudar as espécies para desenvolver o melhoramento genético, a Universidade de Uberaba (Uniube), referência em pesquisas na área de agropecuária, analisou as raças em diversos estados brasileiros e constatou cientificamente que as que são criadas na Paraíba são as únicas que possuem pureza genética e de excelente qualidade, semelhante às vacas indianas, suas descendentes.
“Eles testaram e comprovaram que os DNAs mitocondrial são puros e fechados geneticamente, e isso é uma raridade, porque por mais que as espécies que tenham sido trazidas para o Brasil, do Paquistão e da Índia, com um tempo, as raças não estão mais tão puras e os rebanhos da Paraíba apresentaram justamente o contrário, que as vacas daqui são de genética pura por excelência”, destacou.
O rebanho foi levado para uma fazenda experimental da Uniube e ficará por lá até dois anos. Nesse intervalo de tempo, serão coletados o semêm dos touros e os óvulos das vacas, que depois irão ser inseminados em mais de mil vacas receptoras. Em dois anos serão produzidos cerca de 500 novas crias. Deste total, mais de 200 cabeças serão dadas como porcentagem para os criadores paraibanos. Depois de todas as vacas receptoras serem inseminadas, o rebanho será devolvido.
A parceria está animando os produtores rurais por causa de problemas provocados pela estiagem, que por muitas vezes acabam sendo forçados a se desfazer das criações. “Isso é uma revolução na pecuária e agricultura em nosso Estado, porque com as novas espécies que serão introduzidas na Paraíba, será possível, com o tempo, termos um rebanho bem maior. Como são muito adaptáveis às condições, sem dúvidas, fortalecerá o setor na Paraíba”, explicou Ricardo Leite, da Emepa de Umbuzeiro.
De acordo com ele, o objetivo da parceria é o de multiplicar esse material num curto espaço de tempo, resultando em benefícios para todos os parceiros e criadores. “A Paraíba passa a fazer parte de um pólo especial de efetiva contribuição de genética superior dessas raças para o aprimoramento, preservação e expansão das qualidades das raças zebuínas de aptidão leiteira no país e no mundo tropical”, assegurou Paulo, que explicou ainda que as espécies que serão geradas por meio da fertilização in vitro serão somente fêmeas.
Excelência
Sindi
A raça Sindi é originária do Paquistão e foi introduzida no Brasil por volta dos anos 30 e na Paraíba, em meados da década de 80. Eles foram trazidos para o Brasil por causa da produtividade, e hoje, encontram - se nas regiões Nordeste, Norte e Sudeste. A raça apresenta características como pelagem avermelhada, e pequeno porte, considerado adequado pelo melhor aproveitamento por área, além do menor consumo de alimentos, a boa eficiência reprodutiva e capacidade de produção de leite, tanto em quantidade como em qualidade.
Guzerá
Originária da Índia é um animal de grande porte, excelentes para produção de carne e leite. Assim como as Sindi, são resistentes ao clima quente e seco. São férteis e se reproduzem com facilidade. É comum uma vaca guzerá ultrapassar os 5.000 kg de leite por lactação. A raça foi introduzida na Paraíba por volta dos anos 80. No Estado, as criações acontecem principalmente nas cidades de Alagoinha e Umbuzeiro.
Gir
Também de origem indiana, a raça Gir é conhecida entre os criadores de raças, por sua aptidão para o trabalho e produção de leite. O Gir possui pelagem vermelha ou amarela. Dados apontam que o gado Gir produz em media 3.198 kg de leite ano podendo chegar a até 5.000. Na Paraíba, a espécie foi introduzida em 1938 e hoje é possível encontrar rebanhos nas cidades de Umbuzeiro, no Cariri e Alagoinha, no Agreste.

CP - Daniel Motta

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