O investimento foi alto. Os primeiros 80 ônibus escolares adquiridos pela Paraíba a partir de parceria com o Governo Federal através do programa Caminho da Escola custaram cerca de R$ 25 milhões.
A utilização destes veículos, no entanto, estaria sendo desvirtuada e o transporte dos alunos estaria sendo deixado de lado. Alguns dos micro-ônibus que foram doados aos municípios e que deveriam estar sendo utilizados para levar estudantes da zona rural para as unidades de ensino foram flagrados levando pacientes para hospitais em João Pessoa.
Na semana passada foram visto pacientes vindos do interior para tratamento na capital descendo dos veículos que deveriam ser utilizados exclusivamente no transporte de alunos, sobretudo em um dia letivo. No dia seguinte, mais uma vez a reportagem encontrou alguns ônibus escolares parados em ruas próximas a hospitais, em João Pessoa, que são referência estadual em algumas especialidades.
Talvez por medo de represália, pacientes vindos do interior não admitiam que utilizam o veículo. “Eu vim em outro ônibus. O ‘escolar’ eles usam para trazer pacientes para outros hospitais”, disse uma mulher, que não quis se identificar, enquanto esperava a saída do veículo. Uma outra paciente preferiu não falar sobre o assunto. “Eu venho todo mês para fazer tratamento aqui, em João Pessoa, mas o ônibus que venho não é de estudantes”.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Educação informou que, após doados, os ônibus são de responsabilidade de cada prefeitura. A assessoria informou ainda que qualquer irregularidade no uso dos ônibus escolares pode ser denunciada pelo número 0800-616161.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que o transporte é de responsabilidade de cada município, independente se ele é feito em ambulâncias ou em outro tipo de automóvel. Com relação à necessidade de pacientes do interior buscarem atendimento na capital, a ouvidora da SES informou que esta prática é legal e está assegurada pelo Programa de Pactuação Integrada (PPI).
Segundo a ouvidoria, a pactuação também observa os aspectos geográficos a partir do momento que os procedimentos são contratados às cidades-polo que estão mais próximas de cada município. A reportagem entrou em contato com o presidente da Federação das Associações dos Municípios da Paraíba (Famup), Buba Germano, para comentar o assunto em nome das prefeituras. Num primeiro momento, Buba informou que estava em uma reunião em Brasília e não poderia responder. Em outras ocasiões, novas ligações foram realizadas, mas ele não atendeu o telefone.
Precariedade até na regularidade
Além das irregularidades na utilização do transporte escolar, conversando com pacientes vindos do interior outros problemas saltam aos olhos. Sair de casa ainda durante a madrugada, esperar horas para que a condução chegue e até mesmo ter que utilizar ônibus velhos que quebram com frequência são algumas das barreiras enfrentadas por quem precisa sair do interior para buscar atendimento em cidades maiores. “O ônibus que venho é muito velho. Está uma sucata. Já aconteceu de quebrar e a gente ficou no caminho”, reclamou a agricultora Severina Avelino.
Alguns enfrentam mais de uma hora e meia de viagem. Este foi o caso do agricultor José Martins. Ele afirmou que tinha uma consulta marcada, mas por causa de um imprevisto, a médica não realizou atendimentos. “Teve que ficar para a próxima semana. O bom é que sempre tem ônibus de graça para trazer”, ponderou o agricultor.


JPB

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