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Conhecido pela sua estreita ligação com a produção artística da Paraíba, o ex-prefeito de João Pessoa revelou, na quarta-feira passada, seus planos para o universo das artes e da cultura do Estado a partir de janeiro. De largada, Ricardo anuncia a criação da Secretaria de Cultura do Estado. Atualmente, a Paraíba possui uma subscretaria de Cultura, subordinada a pasta de Educação. “A prioridade é implementar a Secretaria de Cultura, torná-la presente na Paraíba como um todo, e não fazê-la uma secretaria para João Pessoa e, no máximo, Campina Grande”, diz Ricardo, sem adiantar nomes para a pasta. O governador eleito também quer dar prioridade à veiculação da produção cultural paraibana junto a grandes eventos. “Eu acredito no poder da identidade cultural de uma população. Não se faz a mudança de mentalidade se não for através da cultura”, discursa. “É preciso drenar a nossa produção artística para os demais recantos, criando um mercado cultural e fazendo com que aqueles que estejam em Cajazeiras e produzam arte, possam apresentá-la em Guarabira, criando um grande circuito cultural. Penso até em investir em um ônibus-palco, mas, enfim, será decisão que o próximo secretário – ou secretária – deverá tomar”, comenta. Ricardo reafirma o discurso de casar a cultura da Paraíba com o turismo. “A gente precisa utilizar a cultura como porta de entrada para a Paraíba”, declara. “Um Estado que tem a potencialidade que nós temos, a gente não pode jogar isso fora. Imagine o que é um Chico César ‘vendendo’ a Paraíba, um Zé Ramalho, uma Elba, um Ariano Suassuna, um Sérgio Castro Pinto... nós temos talentos importantes em todas as áreas, então imagine esse povo todo fazendo em embaixadas culturais a apresentação de seus trabalhos e convidando as pessoas a fazerem turismo na Paraíba”. Ao ser perguntado sobre os rumos do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC) Augusto dos Anjos, instituído em 2003, Ricardo diz que é preciso aumentar o valor destinado aos projetos. “Sei que não poderei fazer isso no primeiro ano, mas as pessoas podem compreender que eu tenho essa visão. Hoje, o Fundo Municipal de Cultura é maior que o FIC (este ano, o FMC foi de R$ 1,2 milhão, mas o último edital do FIC, o de 2008, foi de R$ 1,5 milhão), fora os demais editais que nós criamos nas mais diversas áreas”, compara Coutinho. Edital é algo em que Ricardo pretende investir. “Edital é uma necessidade. Edital republicaniza e você tira do governo aquela coisa de ‘o governo vai decidir quem é amigo e quem não é’ e acaba logo com isso. Os editais agregam muito valor e diminui muito as queixas”, opina. Quando era prefeito, além do FMC, Ricardo instituiu mais quatro editais: o Concurso Jackson Ribeiro de Arte Pública (que ficou conhecido como “edital das esculturas”), o edital Circuito Cultural das Praças, o edital para a Paixão de Cristo e o edital de seleção de músicos bolsistas da Orquestra de Câmara da Cidade de João Pessoa. FESTIVAIS Ao entrar no tema Fenart (o Festival Nacional de Arte, promovido pela Fundação Espaço Cultural da Paraíba, a Funesc), Ricardo fala da importância de resgatar e investir em festivais. “Festivais são importantes, junta pessoas, reúne artistas, cria possibilidades de discussões diferenciadas. Eu gosto muito desse modelo. Eu acho importante incorporar a literatura, a filosofia. É preciso criar um polo para poder chamar vários segmentos, não só da Paraíba, mas também de fora”. Ricardo também diz que é preciso descentralizar o Fenart e pensa que a Funesc pode desempenhar um papel de formação de recursos humanos na arte. Acrescenta que o Espaço Cultural José Lins do Rêgo, sede da Funesc e onde o Fenart é realizado, “precisa de um aporte e um socorro mais mediato”. “Eu acho que foi feito algo nos últimos meses”, pontua, “mas as estruturas do Espaço requerem um cuidado maior. Eu tenho temores em relação àquela estrutura”, comenta. O governador eleito também fala na “potencialização” de festivais que já existem no interior do Estado, como o Festival de Areia e o Festival Sertanejo de Poesia, em Aparecida. “A gente tem uma cultura muito concentrada em João Pessoa. João Pessoa já esta andando com as próprias pernas. A recriação do Festival de Areia é fundamental. Areia precisa agregar valor, e ela só pode agregar valor na cultura. A potencialização do Circuito do Frio é algo que eu acho importantíssimo”, declara. Pb1/Cariri em Foco |